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Cansado e com saúde abalada, Wolff fala em dividir função de comando da Mercedes

Toto Wolff não esconde, cada vez que fala sobre seu futuro na Mercedes, o quanto ama a equipe e que vai ficar, mas não necessariamente no posto que ocupa hoje. O dirigente austríaco revelou que sofre com enxaquecas e cansaço e, por isso, quer um cargo que não exija tanto quanto agora

16 set 2020
06h31
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Toto Wolff é o chefe da Mercedes desde janeiro de 2013
Toto Wolff é o chefe da Mercedes desde janeiro de 2013
Foto: LAT Images/Mercedes / Grande Prêmio

O chamado equador da incomum temporada 2020 aconteceu no último domingo (13), em Mugello. A Fórmula 1 entrou na segunda metade do seu campeonato com a equipe que domina a categoria desde 2014 em compasso de espera. Isso porque, além do aguardo pela definição da renovação de contrato com o hexacampeão Lewis Hamilton, Toto Wolff ainda está a refletir sobre seu futuro. Mas, ainda que o dirigente austríaco deixe claro que não pretende sair da organização anglo-alemã, por outro lado o ex-piloto mostra que não pretende exercer por muito mais tempo a função de chefe de equipe. Ao menos, não sozinho.

Em entrevista à emissora britânica Channel 4, Wolff não escondeu o cansaço pelo longo tempo à frente da Mercedes, mais precisamente desde 2013, para ocupar as funções de chefe de equipe e diretor-esportivo, que eram, respectivamente, de Ross Brawn e Norbert Haug. Ao lado de Hamilton, Nico Rosberg e Niki Lauda, com o tricampeão do mundo como presidente não-executivo, a Mercedes pavimentou o caminho para o sucesso na esteira do início da era híbrida de motores, a partir de 2014, em domínio que permanece até os dias de hoje.

A Mercedes, liderada pelo Toto Wolff, marca posição no meio da F1 contra o racismo (Foto: Mercedes/Twitter)

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Mas, na visão de Wolff, o tempo cobra o seu preço por tanta dedicação e trabalho duro. Além das viagens ao redor do mundo para liderar a equipe, o austríaco contou que também coordena um enorme grupo de funcionários nas duas bases da Mercedes: em Brackley, na fábrica dos carros, e em Brixworth, onde são construídos os motores. Por isso, entende que pode ser importante dividir o peso com outro profissional.

"Não tenho certeza se o conceito de chefe de equipe funciona mais na Fórmula 1. Sou responsável por 2 mil pessoas. Mil na planta de motores e mil na fábrica, então, uma pessoa deveria assumir toda a responsabilidade e prestação de contas? Eu amei fazer isso, mas talvez, com uma visão de futuro, talvez pudéssemos ter os papéis divididos", explicou.

"Essa, provavelmente, seria a estrutura certa para qualquer organização, mas eu não a defini adequadamente", assumiu o austríaco.

Wolff revelou que está com a saúde abalada depois de tanto tempo à frente da Mercedes. O dirigente sofre também por ter menos tempo com a família. Toto tem três filhos: Benedict e Rosa, do seu primeiro casamento, e Jack, nascido em 2017, filho do austríaco com a ex-pilota e hoje também dirigente Susie Wolff.

"Acho que, se você fizer isso com tudo o que tem, com todo o seu coração, toda a sua energia… Eu faço isso há oito anos. A questão é se isso é sustentável. Sua vida familiar sofre? Sua própria saúde sofre com isso? Tive enxaquecas, o que é algo completamente novo. Sua mente não lida mais com o tempo de inatividade", refletiu.

Com tantos anos de vitórias, mas também de muita dedicação, Wolff deixa nas entrelinhas que está chegando o momento de mudar de função. Ou, como disse, de dividir as atribuições de chefe da Mercedes. "Acredito que todos nós temos uma vida útil em algumas funções. Não quero me tornar de excelente para bom porque então aí outra pessoa deveria assumir neste momento".

"É um momento de reflexão para mim. É um nível alto de intensidade. O que faço e o que fazemos é a busca pela perfeição", concluiu.

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