Indy: Como testes em F2, Super Formula e Champ Car ajudaram Kyffin Simpson a evoluir
Programa de treinos com outros monopostos compensou limitações da IndyCar e acompanhou evolução do piloto da Ganassi desde 2024
Kyffin Simpson encerrou sua terceira temporada na IndyCar em 2026 com sua melhor campanha desde que chegou à categoria. O piloto da Chip Ganassi Racing terminou o campeonato na 13ª colocação, com oito resultados entre os dez primeiros e dois top-5. A evolução ocorreu após a equipe adotar um programa de testes fora da categoria para aumentar a quilometragem do piloto em monopostos diante das restrições impostas pela IndyCar para sessões privadas.
Simpson chegou à IndyCar em 2024 aos 19 anos e com pouca experiência em monopostos quando comparado a parte dos adversários. Antes da estreia, o piloto havia disputado duas temporadas da Indy NXT, terminando em nono e décimo no campeonato e sem conquistar vitórias em 27 largadas. Sua experiência também incluía provas de endurance, com participações no IMSA e no European Le Mans Series.
A limitação de testes da IndyCar passou a ser um problema para a preparação do piloto. Com poucas oportunidades de colocar Simpson no Dallara DW12 utilizado pela categoria, a Ganassi buscou alternativas para aumentar o tempo de pista sem infringir o regulamento.
Segundo Marshall Pruett, da RACER, a equipe elaborou antes da temporada de 2024 um programa internacional de testes para compensar a falta de experiência de Simpson. O planejamento teria incluído carros da Fórmula 2 na Europa, da Super Formula no Japão e até um Panoz DP01, utilizado pela Champ Car em sua última temporada, em 2007. Pruett relatou ainda que Simpson teria dividido um teste do DP01 com Will Power em um circuito no Texas.
Parte do programa já havia sido confirmada anteriormente pela própria IndyCar. No fim de 2023, Simpson passou por uma sequência de atividades que incluiu testes com um Fórmula 2 de geração anterior e um carro da antiga World Series, além das oportunidades disponíveis com o IndyCar da Ganassi.
Embora nenhum desses monopostos reproduza exatamente o comportamento do atual IndyCar, o objetivo era proporcionar ao piloto quilometragem em carros com níveis elevados de potência e carga aerodinâmica. No caso do Panoz DP01, o modelo utiliza um motor Cosworth V8 turbo com mais de 800 cv. Steve Moore, responsável por uma operação que atualmente mantém unidades do carro em funcionamento, definiu o DP01 à RACER como “o mais próximo que se pode chegar do carro atual” em termos de preparação fora do equipamento da IndyCar.
Os primeiros resultados de Simpson na categoria mostraram o tamanho do processo de adaptação. Em 2024, o piloto disputou as 17 etapas, marcou 182 pontos e encerrou sua temporada de estreia na 21ª colocação. Ele não conseguiu terminar nenhuma prova entre os dez primeiros.
A Ganassi e Simpson mantiveram a estratégia de quilometragem adicional antes da temporada seguinte. De acordo com Pruett, o programa com outros monopostos foi repetido durante a preparação para 2025. Para o jornalista, a iniciativa “funcionou claramente e acelerou o crescimento de Simpson”, mesmo com as diferenças entre os carros utilizados nos testes e o Dallara da IndyCar.
A mudança começou a aparecer nos resultados durante o segundo ano. Simpson passou de nenhum top-10 em 2024 para cinco em 2025 e subiu do 21º para o 17º lugar no campeonato. A evolução foi especialmente visível nos circuitos de rua. Sua posição média de chegada nesse tipo de pista caiu de 19,25 em 2024 para 9º em 2025.
Detroit foi um dos primeiros sinais. Simpson largou em 19º e terminou em quinto, então seu melhor resultado na IndyCar. Em Road America, avançou do 23º lugar para sexto. Em Mid-Ohio, classificou o carro da Ganassi em terceiro e terminou em décimo após receber uma punição por uma infração nos boxes.
A sequência culminou em Toronto. Simpson largou em 14º e terminou na terceira posição, conquistando seu primeiro pódio na categoria. Naquele momento, ele acumulava cinco top-10 nas 11 provas anteriores depois de passar suas primeiras 19 largadas na IndyCar sem terminar entre os dez primeiros.
A progressão continuou em 2026. Depois de terminar seus dois primeiros campeonatos em 21º e 17º, Simpson passou a disputar posições mais próximas do primeiro grupo e encerrou a terceira temporada em 13º, com 327 pontos. Foram oito top-10 em 18 corridas, além de dois resultados entre os cinco primeiros.
Um deles aconteceu em Road America, onde Simpson terminou em quarto, então seu melhor resultado do ano. Mais tarde, nas ruas de Washington, o piloto saiu da 23ª posição e recebeu a bandeirada em quinto. A prova também representou seu quinto top-5 na carreira.
Os números mostram uma progressão contínua desde sua estreia. Simpson saiu de 182 pontos e nenhum top-10 em 2024 para 282 pontos e seu primeiro pódio em 2025. Em 2026, chegou a 327 pontos, dobrou sua quantidade de top-10 em relação ao acumulado das duas primeiras temporadas e terminou quatro posições acima no campeonato pelo segundo ano consecutivo.
O programa não permite estabelecer que os testes foram o único responsável pela evolução. Simpson também acumulou experiência durante três temporadas completas de IndyCar e trabalha dentro da estrutura da Ganassi, ao lado de pilotos como Alex Palou e Scott Dixon. Ainda assim, a quilometragem extra proporcionou uma alternativa à principal dificuldade enfrentada por jovens pilotos da categoria: desenvolver técnicas e corrigir erros sem depender exclusivamente dos finais de semana de corrida.
Para Pruett, o caso de Simpson também expõe uma consequência das atuais regras de testes da IndyCar. Equipes e pilotos com recursos financeiros encontraram maneiras de utilizar carros de outras categorias para continuar o desenvolvimento fora das sessões oficiais. No caso do piloto da Ganassi, o caminho passou por diferentes gerações e conceitos de monopostos antes que a experiência acumulada começasse a aparecer com maior frequência nos resultados da própria IndyCar.
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