Fórmula E: Bons resultados de Pepe Martí chama atenção da Nissan
Rookie que mais pontuou na temporada atraiu olhares da equipe japonesa após resultado acima do esperado
Pepe Martí encerrou sua primeira temporada na Fórmula E com um motivo a mais para olhar para o futuro. Além de se firmar no grid e terminar o campeonato à frente do companheiro de equipe Dan Ticktum, o espanhol despertou o interesse da Nissan, que o sondou em junho sobre uma possível oportunidade futura na equipe. As conversas, no entanto, não avançaram. A informação foi revelada pelo próprio piloto em entrevista ao jornalista Sam Smith, do Formula E Notebook, publicada nesta segunda-feira (24).
A aproximação acontece em um momento importante para a categoria, que se prepara para iniciar a era Gen4. Martí deverá permanecer na CUPRA Kiro para a próxima temporada, mas a sondagem mostra que seu desempenho já começou a chamar a atenção de outras estruturas do grid. A Nissan, por sua vez, conta atualmente com Oliver Rowland como seu principal nome e também tem Sam Bird como piloto reserva e de desenvolvimento.
A presença de Bird adiciona um elemento interessante ao cenário. O britânico é um dos pilotos mais experientes da história da Fórmula E, tendo participado de todas as temporadas da categoria até deixar o grid titular ao fim da temporada 2024/25. Agora, fora das corridas, Bird trabalha diretamente no desenvolvimento da Nissan, função que pode ganhar ainda mais importância com a chegada dos novos carros da Gen4.
O interesse da equipe japonesa não surge por acaso. Martí chegou à Fórmula E depois de deixar a Fórmula 2 e, inicialmente, sequer era a primeira opção da CUPRA Kiro. Poucas semanas antes dos testes de pré-temporada em Valência, a equipe trabalhava com a possibilidade de ter Jake Hughes no carro. O britânico chegou a realizar testes com a equipe, mas a negociação mudou de rumo e Martí acabou assumindo a vaga.
A estreia também não foi das mais tranquilas. Em sua estreia, no e-Prix de São Paulo, o espanhol teve um acidente que destruiu o carro, mas conseguiu se recuperar rapidamente. Na Cidade do México, conquistou seus primeiros pontos com um sétimo lugar e, posteriormente, pontuou em quatro das cinco corridas seguintes. O ponto alto veio em Mônaco, quando terminou no pódio após herdar a terceira posição.
Martí afirmou que já considerava a mudança para a Fórmula E a decisão correta. Para o espanhol, permanecer mais um ano na Fórmula 2 não necessariamente representaria uma evolução maior em sua carreira, enquanto a categoria elétrica ofereceu uma oportunidade para aprender e se desenvolver dentro de uma equipe.
A temporada terminou com Martí à frente de Ticktum na classificação, uma diferença pequena, mas simbólica para um piloto que chegou à categoria praticamente de última hora. O espanhol terminou o campeonato com 66 pontos e consolidou seu espaço no grid.
Agora, a próxima etapa será justamente a adaptação ao novo ciclo técnico da Fórmula E. A permanência na CUPRA Kiro dá a Martí a chance de continuar seu desenvolvimento, enquanto a sondagem da Nissan indica que o mercado já começa a observar seus próximos passos.
Ainda não há uma mudança de equipe encaminhada, mas o movimento é significativo. Martí chegou à Fórmula E como uma aposta de última hora e, menos de um ano depois, já aparece no radar de uma das maiores fabricantes da categoria. Para um piloto que decidiu trocar a segurança de mais uma temporada na Fórmula 2 pela incerteza da Fórmula E, talvez esse seja o primeiro sinal de que a aposta começou a valer a pena.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.