Dia 7: Entre a Psicologia e as joias, piloto mais novo e o mais velho sonham nos Sertões
Guilherme e Antônio estão na ponta da lista de idade dos aventureiros das motos no principal rali brasileiro
Uma das atrações do Rally dos Sertões nesta temporada é a disputa nas motos. Grandes nomes do rali lutam para colocar seu nome na lista dos vencedores do principal rali brasileiro e um dos maiores do mundo. Dois deles se destacam pela idade. Guilherme Bisotto, é um jovem de apenas 18 anos, enquanto Antônio Lincoln Berrocal é um veterano de 60 anos, que possuem vidas tão distintas quanto suas idades.
Guilherme é estudante de Psicologia e vive em Luís Eduardo Magalhães, uma pequena cidade no interior da Bahia. Antônio fabrica e vende joias em Curitiba. O jovem é apaixonado e convive com o motociclismo desde seus oito anos de idade. O comerciante passou a se interessar mais pela área a partir de 2003.
"Quando eu nasci, meu pai já andava de moto, fazia Enduro, e eu o acompanhava. Ganhei minha primeira moto aos oito anos de idade", lembra Guilherme, que disputa pela primeira vez o Rally dos Sertões. "Entrei esse ano mais para ganhar experiência mesmo."
Seu objetivo é viver de motociclismo, mas ele sabe que chegar ao alto nível não é fácil. Por isso, estuda Psicologia. Como um atleta, ele se prepara forte para as competições. Durante o dia, passa treinando em cima da moto ou fazendo exercícios físicos para aguentar a forte carga das provas e à noite vai para a faculdade.
Para prosperar na carreira, seja lá como piloto ou psicólogo, Guilherme conta com apoio. Quando tem alguma corrida em que precisará ficar muito tempo longe de casa, conversa com o diretor da faculdade para não repetir por faltas. "Quando volto das competições, eu corro atrás para aprender o que passou e fazer as provas", explicou.
Enquanto Guilherme sonha, Antônio curte o momento. Com 60 anos e bem sucedido, ele entrou no mundo do rali em 2003, já participou do Rally Dakar, principal competição do mundo, e também corre de moto.
"Fiz uma viagem até o Alasca e depois resolvi correr no Dakar", contou o experiente piloto, que divide suas atenções entre as vendas de joias e as corridas. Ele tem uma filha de 30 anos, que o acompanha pela internet, mas prefere não se aventurar em acompanhá-lo.
PRECONCEITO PASSA LONGE
Guilherme e Antônio garantem não sofrer qualquer preconceito por suas idades. Pelo contrário. Guilherme recebe muitos conselhos e Antônio é uma referência para os mais jovens.
"É bem tranquila minha relação com os pilotos. Nunca senti qualquer preconceito. Pelo contrário, eles sabem que eu sou novo e sempre querem me ajudar, dar conselhos. Os pilotos sabem que eu evoluindo, o esporte evolui também e todo mundo ganha com isso", explicou Guilherme.
Antônio, por outro lado, é só elogios. "As pessoas me dão parabéns por eu ainda estar com pique e em condições físicas para correr. A moto é algo muito desgastante e precisa de um preparo especial", explicou o vendedor de joias.