De Gasly a Villeneuve: pilotos da Fórmula 1 que também aceleraram na Fórmula E
Após sondagem da Fortescue Zero a Daniel Ricciardo, relembre nomes de peso que tiveram experiências na categoria elétrica
A possibilidade de Daniel Ricciardo disputar a Fórmula E voltou a colocar em evidência a relação entre a categoria elétrica e a Fórmula 1. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Sam Smith, do Formula E Notebook, nesta terça-feira (3), a Fortescue Zero procurou o australiano em setembro para avaliar seu interesse em competir na era Gen4, prevista para começar em 2027. Apesar do contato, as conversas não avançaram para uma proposta formal.
Aos 37 anos, Ricciardo está afastado das competições desde sua saída da Racing Bulls, em 2024. O australiano, que acumula oito vitórias na Fórmula 1, poderia se juntar a uma extensa relação de pilotos que já experimentaram os monopostos elétricos. Entretanto, a equipe australiana confirmou Taylor Barnard e Dan Ticktum como titulares para a temporada 2026/27.
Embora a possível chegada de Ricciardo tenha despertado curiosidade, a presença de nomes conhecidos da Fórmula 1 não é novidade na Fórmula E. Desde sua estreia, em 2014, a competição recebeu pilotos com diferentes trajetórias no automobilismo, incluindo campeões mundiais, vencedores de Grandes Prêmios e profissionais que participaram de apenas algumas etapas.
Pierre Gasly: uma passagem antes da estreia na Fórmula 1
Atualmente na Fórmula 1, Pierre Gasly é um dos exemplos mais curiosos dessa relação. Antes de estrear na principal categoria do automobilismo, o francês disputou duas corridas da Fórmula E, realizadas em Nova York, em julho de 2017.
Na ocasião, Gasly foi convocado pela Renault e.dams para substituir Sébastien Buemi, que tinha compromissos no Mundial de Endurance. Mesmo com pouca experiência nos monopostos elétricos, o francês terminou a primeira corrida em sétimo lugar e a segunda em quarto, ficando próximo de conquistar um pódio.
Poucos meses depois, em outubro, estreou na Fórmula 1 pela Toro Rosso. Sua passagem pela Fórmula E foi breve, mas aconteceu antes de sua consolidação na categoria em que permanece competindo.
Jacques Villeneuve: um campeão mundial entre os elétricos
Campeão mundial de Fórmula 1 em 1997, Jacques Villeneuve também experimentou a Fórmula E. O canadense participou da temporada 2015/16 pela Venturi, depois de construir uma carreira que incluiu passagens pela IndyCar, NASCAR e competições de endurance.
Sua experiência na categoria elétrica, entretanto, foi curta. Villeneuve disputou apenas três corridas, tendo como melhor resultado a 11ª colocação. Mesmo sem conquistar pontos, tornou-se o primeiro campeão mundial de Fórmula 1 a participar da competição.
Felipe Massa e a experiência após a aposentadoria
Após encerrar sua trajetória na Fórmula 1, Felipe Massa encontrou na Fórmula E uma oportunidade de continuar competindo em monopostos. O brasileiro estreou pela Venturi na temporada 2018/19, depois de 15 anos na principal categoria do automobilismo.
Sua primeira temporada foi marcada por dificuldades de adaptação, mas também por um pódio no E-Prix de Mônaco, quando terminou em terceiro lugar. Massa permaneceu na equipe para 2019/20, mas encerrou sua participação na categoria sem conquistar vitórias.
Kamui Kobayashi e uma passagem de apenas duas corridas
Conhecido por suas atuações na Fórmula 1 e pelas conquistas no endurance, Kamui Kobayashi também teve uma experiência pontual na Fórmula E.
O japonês disputou as duas primeiras corridas da temporada 2017/18, realizadas em Hong Kong, pela Andretti. Terminou em 15º e 17º lugares, respectivamente, antes de deixar a equipe.
A passagem aconteceu entre seus compromissos no Mundial de Endurance, competição na qual posteriormente conquistaria títulos mundiais e vitórias nas 24 Horas de Le Mans.
Brendon Hartley: da Toro Rosso à Dragon
Outro piloto que conciliou experiências em diferentes modalidades foi Brendon Hartley. Após competir na Fórmula 1 pela Toro Rosso, em 2017 e 2018, o neozelandês ingressou na Fórmula E com a GEOX Dragon na temporada 2019/20.
Hartley disputou cinco corridas, conquistando pontos apenas na segunda etapa de Diriyah, antes de encerrar sua participação na competição. Sua carreira, entretanto, seguiu no endurance, modalidade em que acumulou conquistas expressivas, incluindo títulos mundiais e vitórias em Le Mans.
Antonio Giovinazzi e as dificuldades de adaptação
Depois de deixar a Alfa Romeo na Fórmula 1, ao final de 2021, Antonio Giovinazzi foi anunciado pela Dragon Penske para a temporada 2021/22 da Fórmula E.
A experiência do italiano, entretanto, foi marcada por dificuldades. Giovinazzi não conseguiu pontuar durante sua passagem pela categoria e abandonou diversas corridas, encerrando sua participação antes da última prova da temporada devido a uma lesão no polegar.
Posteriormente, encontrou maior sucesso nas competições de endurance, conquistando as 24 Horas de Le Mans de 2023 e o Mundial de Endurance de 2025 com a Ferrari.
Bruno Senna: presença desde a temporada inaugural
Sobrinho do tricampeão mundial Ayrton Senna, Bruno Senna também marcou presença na história da Fórmula E. Após passagens pela Fórmula 1 entre 2010 e 2012, defendendo HRT, Renault e Williams, o brasileiro integrou o grid da temporada inaugural da categoria elétrica, em 2014/15, pela Mahindra Racing.
Senna permaneceu na equipe por duas temporadas, até 2015/16, e teve como melhor resultado um segundo lugar no E-Prix de Londres de 2016, seu único pódio na competição. Apesar de não conquistar vitórias, participou dos primeiros anos de desenvolvimento da Fórmula E, antes de seguir sua trajetória nas competições de endurance
Outros nomes que construíram histórias na Fórmula E
Diferentemente das participações pontuais, alguns ex-pilotos da Fórmula 1 encontraram na categoria elétrica a oportunidade de construir trajetórias duradouras e conquistar títulos.
Nelson Piquet Jr., que competiu pela Renault na Fórmula 1 entre 2008 e 2009, tornou-se o primeiro campeão da história da Fórmula E, na temporada 2014/15. O brasileiro conquistou o título por apenas um ponto de vantagem sobre Sébastien Buemi, outro ex-piloto da F1 que se tornaria campeão da categoria elétrica no ano seguinte.
Lucas di Grassi, que disputou a temporada de 2010 da Fórmula 1 pela Virgin Racing, também se consolidou como um dos principais nomes da competição. O brasileiro venceu a primeira corrida da história da Fórmula E, realizada em Pequim, e conquistou o título de 2016/17.
Jean-Éric Vergne, ex-companheiro de Daniel Ricciardo na Toro Rosso, seguiu um caminho semelhante. Depois de deixar a Fórmula 1, conquistou dois títulos consecutivos da Fórmula E, em 2017/18 e 2018/19, tornando-se o primeiro bicampeão da categoria.
Stoffel Vandoorne, que correu pela McLaren na Fórmula 1, também alcançou o título mundial da Fórmula E, em 2021/22, defendendo a Mercedes.
Já Nyck de Vries percorreu o caminho inverso. O neerlandês conquistou o campeonato da Fórmula E em 2020/21 antes de estrear na Fórmula 1, em 2022, pela Williams. Posteriormente, disputou parte da temporada de 2023 pela AlphaTauri e retornou à categoria elétrica.
A relação ainda inclui nomes como Nick Heidfeld, Jérôme d'Ambrosio, Scott Speed e Pascal Wehrlein, que tiveram experiências nas duas competições em diferentes momentos de suas carreiras.
O que Ricciardo poderia representar para a Fórmula E?
A sondagem a Daniel Ricciardo acontece em um momento importante para a Fórmula E, que se prepara para a introdução dos carros Gen4. A nova geração representa mais uma etapa do desenvolvimento tecnológico da categoria, com avanços de potência, desempenho e eficiência energética.
A eventual participação do australiano também poderia representar um ganho de visibilidade. Além das oito vitórias na Fórmula 1, Ricciardo construiu uma imagem popular entre os fãs, impulsionada por sua personalidade e pela exposição na série Drive to Survive, da Netflix.
Entretanto, sua experiência na Fórmula 1 não garantiria resultados imediatos. A história da Fórmula E mostra que pilotos com trajetórias consolidadas em outras modalidades enfrentaram dificuldades para compreender as particularidades da competição, especialmente o gerenciamento de energia e as estratégias de corrida.
Mais do que uma oportunidade de retorno às pistas, a possível chegada de Ricciardo evidencia o interesse que a Fórmula E continua despertando entre nomes conhecidos do automobilismo internacional. Afinal, enquanto alguns pilotos encontraram nos monopostos elétricos um novo capítulo de suas carreiras, outros tiveram experiências breves, mas igualmente importantes para a construção da história da categoria.
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