Aston Martin Valkyrie chega com grandes expectativas para Le Mans
Um dos carros mais queridos dos fãs está pronto para as 24 Horas de Le Mans, com expectativas bem maiores que no ano passado
Às vésperas de sua segunda participação na categoria Hypercar das 24 Horas de Le Mans, a equipe Aston Martin THOR está ciente de que desta vez a experiência será bem distinta em relação ao ano anterior.
O Aston Martin Valkyrie é uma grande sensação do WEC e das 24 Horas de Le Mans. Em um mundo onde os motores V12 estão em extinção, o Cosworth RA 6.5L, que pode gerar até 1000 cv na versão de rua, chama a atenção. Obviamente, no FIA WEC essa potência é bastante reduzida, mas é claro que o carro é um dos favoritos dos fãs. Porém, não só de som vive um carro: é preciso mostrar desempenho.
Isso foi uma grande questão no começo do ano passado, quando o carro estreou no WEC nos 1812 Km do Catar de 2025. Além do desempenho pífio, vários problemas surgiram, como uma porta que abriu no meio da corrida. Tanto que os objetivos para a primeira 24 Horas de Le Mans, no ano passado, eram apenas terminar a prova com os dois carros, o que realmente aconteceu, com os carros chegando em 11º e 13º lugares. Esse resultado valeu um ponto no campeonato de construtores e a 10ª posição, já que o carro #83, vencedor da prova, não contava para esse campeonato.
No final da temporada passada, o carro já apresentava melhoras, com a dupla do #009, Alex Riberas e Marco Sørensen, conseguindo um 5º lugar em Fuji e um 7º lugar no Bahrein. Mesmo assim, a equipe fechou o campeonato de construtores na última posição, com 24 pontos, 60 atrás da Peugeot, penúltima colocada. No IMSA, outro campeonato em que o Valkyrie está presente, conseguiu conquistar o 2º lugar na última etapa, Petit Le Mans.
Neste ano, porém, as expectativas ficaram mais altas. Em um campeonato com 17 carros, o Aston Martin #007 de Tom Gamble e Harry Tincknell chegou em 9º lugar em Imola, uma pista claramente desfavorável. Já em Spa, o desempenho foi o melhor já visto: o carro #009 bateu quando disputava a 5ª posição, enquanto o #007 terminou em quarto, após Gamble vencer uma bela disputa com Kamui Kobayashi (Toyota #7). Com outra estratégia, talvez o carro pudesse ter avançado ainda mais.
Em entrevista ao dailysportscar.com, Gamble declarou:
"Tivemos um pouco de sorte no final, mas ambos os carros eram rápidos o suficiente para estarem onde estavam, e na verdade tivemos uma corrida um pouco complicada com a estratégia e outras coisas antes de chegarmos a esse ponto, então acho que se tivéssemos assumido a liderança no final da corrida, teríamos conseguido terminar na frente."
“No ano passado, em Spa, sempre que víamos o líder, ele estava nos ultrapassando, e este ano, ver o líder logo à frente ao cruzar a linha de chegada foi realmente notável.”
“Não tenho certeza de como nos sairemos [em Le Mans], já que todos darão o seu melhor, mas estou bastante otimista de que teremos um conjunto mais forte do que no ano passado, e seria ótimo estar entre os 10 primeiros e mostrar a todos do que o Valkyrie é capaz.”
O carro ainda tem uma grande margem de evolução. Por isso, a Aston Martin não utilizou nenhum Evo Joker até agora. A equipe acredita que há espaço para desenvolver o carro sem precisar de atualizações significativas, que só deverão vir em 2027.
“Mesmo quando já estávamos no Bahrein, ainda sentíamos falta de algumas coisas. Realizamos muitos testes durante a pré-temporada para aprimorar o controle de tração e alinhar tudo melhor. Fizemos um bom progresso. É ótimo quando você chega à pista e precisa forçar, porque você vê a diferença.”, diz Sørensen.
Mas em uma categoria onde existe o BoP (Balanço de Performance) e um controle tão rígido sobre as atualizações, grande parte da evolução se concentra em melhorias de software. Ian James, chefe de equipe, deixa isso muito claro:
“Temos seis ou sete engenheiros de software, e os engenheiros de desempenho também participam. Eles nos deram provavelmente o maior avanço em desempenho que os carros já tiveram. Os pilotos também precisam estar a bordo para entender os sistemas e maximizá-los. O processo de interação com o piloto, a validação, é desafiador. Mas, nos boxes, a maior parte do desempenho vem do software; você está limitado ao hardware por meio da homologação, então manipular o carro na volta do ponto de vista eletrônico é a única maneira de melhorar esses carros.”
Outro fator que aponta para a melhora é a questão dos novos pneus. O Valkyrie tem muita dificuldade com o aquecimento dos pneus, e os novos compostos da Michelin, chamados Pilot Sport Endurance, aquecem de maneira mais fácil graças à sua camada superficial mais abrasiva ao asfalto. Harry Tincknell falou sobre isso:
“Nosso carro não aquece muito bem os pneus, mas isso faz com que durem muito mais. Como a aderência é um pouco maior na frente, os outros carros tendem a sobrevirar mais conforme a pista fica mais emborrachada e o tempo passa, mas nós conseguimos conservar melhor nossos pneus traseiros"
O Aston Martin Valkyrie mostrou-se bastante promissor ao liderar o dia de testes em Le Mans no último domingo. No entanto, os treinos revelaram muito equilíbrio, com as oito fabricantes registrando voltas separadas por menos de 1 segundo. É verdade que os testes não definem muita coisa, mas a previsão do tempo deve ajudar: não há expectativa de chuva e as temperaturas podem chegar a 28 °C, cenário muito parecido com o de Spa, que favorece o carro britânico.
Para as 24 Horas de Le Mans, além das duplas já confirmadas, haverá o acréscimo da dupla do IMSA: Ross Gunn no carro #007 e Roman De Angelis no carro #009.
Le Mans não vê um carro com motor V12 conquistar um pódio desde 2009, quando a Peugeot fez a dobradinha 1-2 com seu motor a diesel. Será que a Aston Martin conseguirá quebrar esse jejum? A resposta virá apenas no domingo.
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