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Árbitro somali que teve entrada negada nos EUA diz que ocorrido foi "destino"

10 jun 2026 - 09h39
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O árbitro de futebol somali Omar ‌Abdulkadir Artan afirmou nesta quarta-feira que a negativa de entrada nos Estados Unidos para a Copa do Mundo que sofreu foi "destino" e pediu aos seus compatriotas somalis que não desanimassem por causa disso.

Artan, eleito o árbitro africano do ano em 2025, estava prestes ⁠a se tornar o primeiro somali a apitar no maior evento ‌do futebol mundial, mas foi impedido de entrar pelo Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) no fim ‌de semana.

O governo do presidente dos EUA, ‌Donald Trump, afirmou na terça-feira que o país negou ⁠a entrada de Artan para a Copa do Mundo devido a suas ligações com "suspeitos de pertencerem a organizações terroristas".

"O que aconteceu, aconteceu, e foi destino. Sou grato pelo apoio que a Fifa me deu", disse Artan aos repórteres após chegar à capital da ‌Somália, Mogadíscio, e exortou seus apoiadores a permanecerem ao lado de ‌seu país.

"A Somália é ⁠nossa, estejam as ⁠coisas boas ou ruins. Quero dizer aos nossos jovens para não perderem ⁠a esperança em nosso país", ‌disse ele. "Agora estou em ‌meu país, e não há outro lugar onde eu queira estar."

As políticas de imigração rígidas do governo Trump têm sido motivo de preocupação antes da Copa do Mundo, com Washington ⁠impondo no ano passado uma ampla proibição de viagens a cidadãos de 12 países, incluindo a Somália.

Um porta-voz da Fifa disse que Artan agora não apitará no torneio, que será realizado nos EUA, no México e no ‌Canadá e começa na quinta-feira.

A notícia foi recebida com amarga decepção pelos torcedores de futebol somalis, que aguardavam ansiosamente a presença ⁠de Artan no torneio.

"Teria sido um momento grandioso não apenas para ele, mas para todos nós e para a África", disse Abdifatah, um estudante que revelou apenas seu primeiro nome, à Reuters.

O fotógrafo Najib A. Farah, de 26 anos, descreveu a decisão como "vergonhosa".

"Omar Artan era um exemplo a ser seguido pelos árbitros somalis e recusá-lo passa uma mensagem errada aos jovens somalis que aspiram a uma carreira no futebol", disse ele.

O governo da Somália disse que tentou, sem sucesso, negociar com os EUA e a Fifa para que Artan pudesse entrar nos Estados Unidos e ficou entristecido com o que aconteceu.

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