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Aos 37 anos, Marcelo Demoliner vive seu melhor Roland-Garros e desafia o tempo

Especialista em duplas e presença constante no circuito internacional de tênis há quase duas décadas, o brasileiro Marcelo Demoliner construiu uma carreira sólida desde que se profissionalizou, em 2006. De volta a Roland-Garros, aos 37 anos, ele atinge o seu melhor resultado no torneio, avançando para as quartas, depois de derrotar uma dupla alemã, entre as melhores do mundo, pela terceira rodada das duplas masculinas.

2 jun 2026 - 10h39
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Maria Paula Carvalho, de Roland-Garros

Para chegar até aqui, Marcelo Demoliner e o parceiro indiano N. Sriram Balaji bateram o alemão Constantin Frantzen e o holandês Robin Haase (em três sets) na estreia, na terça-feira (26). Depois, derrotaram os alemães Jakob Schnaitter e Mark Wallner (por dois sets a zero) na segunda rodada, na sexta-feira (29) e, nas oitavas de final, nesta segunda-feira (1°), venceram os alemães Kevin Krawietz e Tim Puetz, cabeças de chave nº 6, em partida encerrada com parciais de 7/5 e 6/4.

Demoliner e Balaji disputam as quartas de final na quarta-feira (3) contra o inglês Henry Patten e o finlandês Harri Heliövaara.

É mais um ponto marcante na carreira do tenista gaúcho, que atingiu o auge em 2017 com o 34º lugar no ranking mundial da ATP. Dono de cinco títulos de nível ATP e com resultados expressivos em Grand Slams, Marcelo Demoliner vive em 2026 um momento simbólico em Roland-Garros, como contou nesta entrevista exclusiva à RFI Brasil.

Em sua décima participação no torneio parisiense, ele alcança pela primeira vez as quartas de final, quebrando uma barreira pessoal no saibro francês. Representante frequente do Brasil em competições como a Copa Davis, os Jogos Olímpicos e medalhista no Pan de Santiago 2023, Demoliner mantém regularidade em Paris e segue competitivo.

"Acho que essa aqui é a décima participação", calcula o gaúcho, que segue avançando nesta edição do torneio. "Eu sempre ganhei o primeiro jogo, mas não conseguia avançar. Foi a primeira vez que consegui quebrar esse tabu - e agora vamos por mais", afirma.

Se a comparação fosse com o vinho francês, como sugerido na entrevista, a longevidade ajuda: "Com certeza. Totalmente". Depois de passar por uma cirurgia no joelho, ele diz ter reencontrado a forma ideal. "Demorou alguns anos para eu voltar ao meu melhor. Mas desde o ano passado estou muito bem fisicamente, mesmo com 37 anos."

Preparo físico

A manutenção do alto nível, explica, passa por uma rotina cada vez mais exigente fora das quadras. "Depois dos 30, 35, a cartilagem vai diminuindo drasticamente. Então, quanto mais eu me mantiver bem fisicamente, mais longeva vai ser minha carreira."

Demoliner conta que dedica mais tempo à preparação física do que ao treino técnico, confiando na experiência acumulada ao longo de 20 anos no circuito. "Se eu estou bem fisicamente, minha técnica vai estar bem aperfeiçoada pelos tantos anos jogando", avalia.

O desgaste mental, no entanto, pesa tanto quanto o físico. "Cada ano que passa é mais difícil estar longe da família", relata. Viagens longas e constantes fazem parte da rotina de quem passa até 35 semanas por ano fora de casa.

"O mais difícil é estar longe da minha esposa, da minha família. De repente, ano que vem a gente vai ter filhos, então vai ser uma mudança de vida também grande", espera.

Além disso, "um voo de 10, 12 horas é mais sofrido", diz. "Para mim, viajar de econômica é um martírio, pois tenho 1,95 de altura. Preciso de uns dois dias para recuperar." Ainda assim, a motivação segue intacta.

"Eu ainda tenho muita gana de competir. É isso que me motiva continuar jogando e conquistando alguns sonhos", diz, projetando a tentativa de disputar os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.

Redes sociais e os bastidores do tênis

Fora das quadras, o tenista também tem investido em uma presença ativa nas redes sociais, onde acumula mais de 130 mil seguidores no Instagram ao mostrar os bastidores do circuito. A iniciativa começou de forma espontânea, em 2019. "Pensei: como posso dar um pouquinho para as pessoas do que o tênis me proporciona?", explica. Com quadros como o "Respondemo" e o "Demonstrando", ele busca aproximar o público de uma realidade pouco visível. "As pessoas não têm ideia da grandiosidade dos bastidores e de como é difícil chegar lá."

Entre fuso horário, custos elevados e a necessidade de gerir a própria carreira, Demoliner resume: "Eu sou o CEO da minha empresa e o limpador da privada". Apesar das dificuldades, ele reforça que o sucesso financeiro no esporte existe, mas é restrito: "Dá para ficar rico, mas a porcentagem é muito pequena. Tem que ser muito profissional."

Pensando no futuro, o brasileiro ainda testa possibilidades, mas sem pressa para definir o próximo passo. "Eu sei que vou ser um bom empresário", afirma. A experiência como comentarista já foi experimentada, mas ainda sem entusiasmo. "Tenho facilidade, mas não foi algo que eu pensei 'quero fazer isso'. Eu estou testando um monte de coisas. A minha carreira está no final. Mas comentar é algo que eu preciso entender se eu gosto ainda", continua. "Eu já fiz algumas vezes, não desfrutei tanto fazendo", diz.

Marcelo Demoliner durante partida pelas quartas de final de duplas masculinas, do Campeonato de Tênis em Quadra de Saibro Masculino Fayez Sarofim & Co., no River Oaks Country Club, em 31 de março de 2026, em Houston, Texas.
Marcelo Demoliner durante partida pelas quartas de final de duplas masculinas, do Campeonato de Tênis em Quadra de Saibro Masculino Fayez Sarofim & Co., no River Oaks Country Club, em 31 de março de 2026, em Houston, Texas.
Foto: RFI

Fenômeno João Fonseca: tem "aura"

Observador atento da nova geração, Demoliner deseja sorte a João Fonseca, uma das promessas do tênis brasileiro. "Ele é uma estrela. Se fosse dizer uma palavra para ele, seria carisma, aura", elogia. Demoliner lembra, no entanto, que o talento precisa ser acompanhado de paciência. "As pessoas têm que entender que o tênis é um esporte de processo. A gente perde mais do que ganha. Uma derrota não é o fim do mundo, e uma vitória também não é tudo isso."

Em Paris, Demoliner segue escrevendo novos capítulos de uma carreira marcada pela persistência - agora, enfim, com a sensação de que ainda há espaço para ir além.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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