Ana Marcela fica em 6º no Mundial, critica organização e declara: 'Não sei se terei outra chance'
Nadadora é uma lenda dos esportes aquáticos com quatro Olimpíadas disputadas; aos 33 anos, futuro está em aberto
Ana Marcela Cunha ficou em 6º lugar nos 10km do Mundial de Esportes Aquáticos, criticou a organização do evento e, aos 33 anos, refletiu sobre sua trajetória, admitindo incerteza sobre futuras competições.
Ana Marcela Cunha é um dos maiores nomes do esporte olímpico brasileiro. Medalha de ouro em Tóquio-2020, a atleta fez um forte desabafo nesta quarta-feira, 16, após ficar em sexto lugar na prova de águas abertas dos 10km no Mundial de Esportes Aquáticos disputado em Singapura.
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A nadadora não deixou barato para a organização do evento, que adiou a prova por duas vezes. "Óbvio que a gente treina e faz tudo para que seja não só pódio, mas brigar pelo primeiro lugar. Sempre foi um sonho ganhar essa medalha de primeiro nos 10km, ainda não foi e não sei se terei outra chance. Quando eu bati ali, foi um alívio, sabe? A gente está há 36 horas (esperando), parece que é uma brincadeira até com os próprios atletas. Primeiro a preocupação era o calor, a água quente. E depois, do nada, a água com qualidade a desejar", declarou em entrevista ao SporTV.
Aos 33 anos, Ana possui 16 medalhas do Mundial, que é disputado a cada dois anos. A frustração se dá, também, pois a atleta nunca conseguiu o ouro nos 10km, única prova de águas abertas que faz parte do programa olímpico. A baiana terminou a prova com o tempo de 2h09s21, ficando dois minutos atrás de Moesha Johnson, vencedora que fez 2h07s51.
A prova dos 10km estava prevista para ser realizada na segunda-feira, às 21h de Brasília. Entretanto, atrasou em dois dias, o que prejudica muito o desempenho de atletas de alto nível. Ainda assim, o ícone da natação brasileira mostrou-se encontrou motivos para se orgulhar.
"É toda uma preparação feita, óbvio que para todo mundo igual. Provavelmente, as três primeiras se preparam até mais do que o quarto, o quinto e o meu sexto lugar. Mas estou muito contente e orgulhosa da minha trajetória, desde 2006, em Campeonatos Mundiais, brigando por medalhas. É um sexto lugar e não deixa de ser um bom resultado. Eu sei que a torcida é grande e espera muito mais da gente".
Este pode ter sido o último Mundial de Esportes Aquáticos de Ana. Ao relembrar toda a trajetória, a nadadora chegou a se emocionar com as memórias que construiu.
"Uma história, né? Há 14 anos, eu estava ganhando a minha primeira medalha em Mundial, depois de não ter me classificado para as Olimpíadas (Pequim 2008) (...). É muita coisa, muita história no total da minha carreira, cinco ciclos olímpicos, quatro Olimpíadas, 12, 16, 20 e 24, campeã olímpica. É tudo isso que passa na cabeça na hora ali de tocar. Eu sabia que tinham cinco na minha frente. Mas eu acho que pra mim é brigar até o final, independentemente se fui primeira, sexta ou vigésima, eu briguei até o final e isso representa muito para mim", contou visivelmente emocionada.