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A arma secreta da França: as conversas que ninguém mais ouve

13 jul 2026 - 17h58
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A trajetória da França às semifinais da ‌Copa do Mundo foi impulsionada pelos gols de Kylian Mbappé e Ousmane Dembélé, mas os jogadores acreditam que uma parte igualmente importante do sucesso foi construída longe das câmeras, em quartos de hotel e em conversas particulares, sem a presença da comissão técnica.

A equipe de Didier Deschamps enfrenta a Espanha nesta terça-feira tentando chegar à terceira final consecutiva da Copa do Mundo, tendo desenvolvido uma coesão ⁠que, segundo o meia Adrien Rabiot e o defensor Jules Koundé, se estende muito além das reuniões ‌táticas e dos treinos.

Os jogadores analisam as partidas juntos em pequenos grupos, desafiando uns aos outros e assumindo a responsabilidade de encontrar soluções além das que são fornecidas por Deschamps e seus ‌assistentes.

"Nós nos comunicamos bastante e conversamos entre nós regularmente", disse Rabiot ‌aos repórteres nesta segunda-feira.

"No hotel, durante nosso tempo livre, tentamos analisar as partidas juntos ⁠em pequenos grupos. Isso é importante, além de tudo o que o técnico e sua comissão técnica nos oferecem."

"Todos falamos a mesma língua, todos temos o mesmo objetivo e todos estão direcionando sua energia para ele. O que a comissão técnica nos traz é essencial, mas o diálogo entre os jogadores, sem o envolvimento da comissão, também é importante."

Esse senso de pertencimento ajudou a França a combinar ‌um dos ataques mais potentes do torneio com um esforço defensivo coletivo que começa com os atacantes.

Mbappé marcou ‌oito gols, e Dembélé, cinco, ⁠mas Koundé disse que ⁠o trabalho da França sem a bola tem sido tão importante quanto a qualidade individual dos jogadores quando estão ⁠com ela.

"Temos feito um bom trabalho defensivamente, mas isso ‌vai muito além dos defensores", disse ‌Koundé.

"É um esforço coletivo, que começa pela forma como pressionamos desde o primeiro passe do adversário. Quando o trabalho é feito corretamente nas linhas mais avançadas e no meio-campo, isso facilita muito a nossa tarefa na zaga."

A coesão da França tem ficado evidente na disposição dos ⁠jogadores de ataque em recuar para ajudar atrás e na disciplina com que a equipe tem se defendido em momentos difíceis.

RELACIONAMENTOS FORTES

Os jogadores insistem que o que acontece em campo é uma extensão das relações construídas fora dele.

"Nós nos damos muito bem", disse Rabiot. "Há um verdadeiro senso de harmonia e coesão genuína."

"É difícil explicar, mas as coisas funcionam ‌extremamente bem fora do campo, e essa energia se reflete nele."

Koundé descreveu um grupo que gosta de jogar junto e de se sacrificar uns pelos outros.

"Há um forte senso de coesão desde ⁠o início — mesmo voltando para 2022", afirmou.

"Há continuidade dentro desse grupo. Ela foi construída ao longo do tempo, e todos estão focados no mesmo objetivo."

"Esse é um dos nossos pontos fortes, e dá para sentir isso em campo. Gostamos de jogar juntos e também gostamos de nos esforçar uns pelos outros."

A trajetória da França também ocorreu tendo como pano de fundo a decisão de Deschamps de deixar o cargo após o torneio, encerrando uma passagem que começou em 2012 e incluiu a conquista da Copa do Mundo de 2018 e outra final quatro anos depois. A mãe do técnico faleceu durante a fase de grupos.

Rabiot disse que saber que esta será a última competição de Deschamps deu aos jogadores um impulso emocional extra.

"As dificuldades pelas quais o técnico passou nos uniram ainda mais", disse.

"Você quer dar tudo de si, especialmente sabendo que esta é última competição dele no comando da seleção francesa. Este é o momento."

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