XP tem lucro de R$1,38 bi no 2º tri; vê banco nos EUA como evolução natural
A XP Inc reportou nesta segunda-feira lucro líquido ajustado de R$1,384 bilhão no segundo trimestre, alta de 5% em relação ao mesmo período do ano passado, com expansão de receita e dos ativos totais de clientes.
O resultado ficou levemente acima da média de estimativas compiladas pela LSEG, que apontava lucro de R$1,365 bilhão.
A receita bruta cresceu 8%, para R$5,056 bilhões, enquanto os ativos totais de clientes (AuC, AuM e AuA) aumentaram 17%, para R$2,2 trilhões, com uma captação líquida total de aproximadamente R$28 bilhões, praticamente o triplo do ano anterior.
A captação líquida de varejo somou R$20 bilhões. No mesmo período de 2025, houve captação líquida de R$16 bilhões nessa linha.
De acordo com o presidente-executivo da XP, Thiago Maffra, o grupo vem mantendo esse mesmo patamar, independente do nível de juros, do cenário macro mais difícil.
"Acreditamos que é um nível que conseguimos sustentar (na captação no varejo) nos próximos trimestres", afirmou a jornalistas durante entrevista para comentar o resultado do grupo.
O número de clientes ativos cresceu 1% ano a ano, para 4,772 milhões ao final de junho.
O lucro antes de imposto de renda (EBT) ajustado totalizou R$1,565 bilhão, expansão de 15% ano a ano. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) da instituição alcançou 22,5%.
O conglomerado financeiro afirmou que o banco de atacado continua sendo um importante vetor de crescimento da XP, com receita de R$1,175 bilhão no segundo trimestre, elevação de 32% na comparação anual, em desempenho puxado pelo segmento corporate.
A XP lembrou que o segundo trimestre marcou o lançamento de novos serviços para o público pessoa jurídica, com destaque para a entrada no segmento de adquirência e cartão PJ.
A receita de varejo aumentou 8%, para R$3,881 bilhões, com expansão de 11% na renda variável, para R$1,138 bilhão, enquanto renda fixa registrou declínio de 16%, para R$833 milhões. O faturamento da plataforma de fundos cresceu 23%, para R$418 milhões.
As despesas administrativas gerais do resultado consolidado aumentaram 5%, para R$1,640 bilhão, enquanto a receita líquida mostrou incremento de 9%, para R$4,884 bilhões.
"Continuaremos ampliando a relevância da XP na vida financeira dos clientes e fortalecendo nossa posição para alcançar a liderança em investimentos no Brasil ao longo da próxima década", disse Maffra, em nota à imprensa.
A carteira de crédito expandida da instituição alcançou R$77,9 bilhões no segundo trimestre, aumento de 16% ano a ano.
Maffra afirmou que o grupo é bem conservador em crédito, com uma carteira de "altíssima qualidade". "Do lado de crédito, estamos bem tranquilos".
Na visão de analistas do Citi, a XP entregou um trimestre que, de modo geral, ficou alinhado com as expectativas do banco, apesar da surpresa positiva no EBT.
"Embora os resultados tenham sido razoavelmente bons, continuamos enxergando alguns desafios para que a companhia alcance seu 'guidance' de receita bruta", afirmaram, citando a expansão de 8% no primeiro semestre de 2026.
"Ainda assim, acreditamos que a empresa pode entregar uma margem EBT dentro da faixa projetada, embora possivelmente mais próxima do limite inferior do guidance."
Eles citaram que seguem relativamente cautelosos em relação ao ritmo de crescimento no atual ambiente macroeconômico, bem como quanto à visibilidade da administração sobre as tendências futuras de receita.
"Por outro lado, o retorno de capital aos acionistas continua sendo um elemento central da tese de investimento", afirmaram. Em maio, a XP anunciou aproximadamente R$500 milhões em dividendos, bem como programa de recompra de até R$1 bilhão.
BANCO NOS EUA
Maffra afirmou que é uma evolução natural a XP ter um banco nos Estados Unidos em um futuro próximo.
"Temos estudado alternativas entre pedir uma licença e comprar uma instituição já constituída. Ainda não tem uma decisão formal...mas estamos próximo de chegar nessa decisão", disse o executivo. "O banco é sim uma opção para uma evolução, principalmente para os clientes de private banking."
Nesta segunda-feira, o Itaú Unibanco anunciou que recebeu autorização preliminar para constituir um banco com licença nacional nos EUA, a ser chamado de Itaú Bank.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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