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Vulcabras, dona da Olympikus, diz que Copa do Mundo atrapalhou vendas no 2º trimestre

Segundo fabricante de calçados, queda no fluxo das lojas em horários de jogos impactou vendas no varejo e se juntou a outras incertezas que já pesavam sobre a companhia

5 ago 2026 - 09h05
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Inicialmente vista como uma oportunidade para apresentar produtos esportivos para além do futebol, a Copa do Mundo acabou se mostrando um evento negativo para os resultados da Vulcabras, dona da marca Olympikus, no segundo trimestre. A fabricante brasileira de calçados diz que a queda no fluxo das lojas em horários de jogos acabou impactando as vendas no varejo e se juntou a outras incertezas que já pesavam sobre a companhia neste ano. A Copa começou em 11 de junho e terminou em 19 de julho.

"A Copa do Mundo trouxe uma queda muito maior do que já tínhamos visto no passado, não só em material esportivo. Foi ruim para o varejo, em geral, e isso reflete também nos nossos resultados: achamos que poderíamos ter fechado um trimestre um pouco melhor", afirma o presidente da Vulcabras, Pedro Bartelle, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

Segundo o executivo, na média do mercado, a queda no fluxo de clientes foi de 30% a 40%. "Em nossos parceiros, sentimos uma queda bem maior do que na última Copa", afirma. "Não foi um evento que trouxe aumento de faturamento. Nos nossos clientes, certamente não."

Ainda assim, a companhia alcançou, no segundo trimestre de 2026, o 24º trimestre consecutivo de crescimento. A receita líquida avançou 11,2% em relação a igual período do ano passado, para R$ 994,8 milhões. O Ebitda recorrente cresceu 9,3%, para R$ 208,6 milhões, com margem de 21%, enquanto o lucro bruto totalizou R$ 402,3 milhões, alta de 10,1%.

Ao longo do ano, a companhia vem fazendo ajustes para se adaptar ao cenário mais adverso do que o previsto inicialmente para 2026. Cortou despesas, revisou preços, readequou coleções e adiou parte dos investimentos de longo prazo, preservando a estrutura operacional e sem realizar demissões. A estratégia, segundo Bartelle, foi necessária para adaptar rapidamente o portfólio e a operação às mudanças no mercado, como a explosão de custos em matérias-primas, consequência da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

Os custos já passaram pelo pico observado durante a fase mais aguda de conflitos no Oriente Médio, mas permanecem acima dos níveis anteriores. De acordo com Bartelle, parte dos insumos registrou recuo nos preços, enquanto outros seguem pressionados, o que leva a companhia a trabalhar com a expectativa de custos elevados ao longo do restante do ano.

A empresa espera manter o ritmo de crescimento de dois dígitos, mas lembra que o momento é de cautela. "Não queremos crescer a qualquer custo", diz Bartelle. Segundo ele, as incertezas devem se ampliar com o período eleitoral nos próximos meses e vão durar no próximo ano. A visão é de que 2027 será um ano "realista".

Wagner Dantas, diretor financeiro da companhia, diz que o nível da dívida pública indica algum ajuste por parte do governo no ano que vem e vê a agilidade da companhia como um diferencial para responder a momentos de incertezas.

A capacidade de se adaptar rápido às demandas de mercado virou parte do modelo do negócio da Vulcabras desde que a empresa se reestruturou para sobreviver à crise profunda vivida no início da década de 2010. Hoje, a companhia é capaz de lançar produtos no mercado com uma rapidez até dois meses a menos do que a média do mercado, o que permite otimizar a produção e reagir com velocidade na reposição de itens com maior sucesso nas prateleiras. Além da fabricação própria da Olympikus, a Vulcabras representa ainda as estrangeiras Mizuno e Under Armour no Brasil.

Outro reflexo da "lição de casa" feita no passado é visto no resultado. Segundo Dantas, a solidez do balanço — com alavancagem de 0,7 vez o Ebitda e a meta de reduzir ainda mais o endividamento — dá à Vulcabras força para atravessar o período mais duro e permite ainda aproveitar oportunidades de crescimento inorgânico quando o ambiente se tornar mais favorável.

Embora siga de olho em potenciais alvos de aquisição, entre os quais novas marcas para acrescentar ao portfólio, a companhia diz que o cenário atual não deve favorecer o movimento. O foco, por ora, é seguir crescendo organicamente. Desde a última aquisição, em 2021, a companhia dobrou de tamanho com a ajuda de lançamentos próprios.

Estadão
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