Volkswagen precisa de cortes profundos para se manter competitiva, diz o CEO
O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, alertou que a empresa vive uma situação crítica e precisa de cortes profundos para seguir competitiva. Pressionada pelo avanço chinês, tarifas nos EUA e queda de lucros, a montadora realiza a maior reestruturação de sua história. As ações em estudo envolvem corte de custos operacionais, redução da capacidade de fábricas na Alemanha e a possível demissão de até 50 mil trabalhadores para garantir investimentos essenciais a longo prazo.
O presidente-executivo da Volkswagen , Oliver Blume, alertou nesta sexta-feira que os problemas do setor automotivo só irão se intensificar nos próximos anos e que cortes profundos de custos são necessários para manter a principal montadora europeia competitiva.
Os comentários, feitos em um memorando interno da empresa visto pela Reuters, surgem em um momento em que a Volkswagen está passando pelo que é considerada a sua maior reestruturação de todos os tempos, que pode incluir desde novos cortes de 50.000 empregos até a separação de algumas divisões.
Pressionada pela agressiva concorrência chinesa que se expande para a Europa, pela queda nos lucros na China e pelas pesadas tarifas de importação nos Estados Unidos, a Volkswagen enfrenta dificuldades com a queda nos lucros e o excesso de capacidade dispendioso na Europa.
"A situação é mais do que crítica", disse Blume no memorando, acrescentando que, embora as margens atuais de menos de 4% sejam sólidas no ambiente atual, "elas não são de forma alguma suficientes para gerar fundos suficientes a longo prazo para novas tecnologias, novos produtos e nossas instalações".
Blume, que na próxima semana visitará as fábricas da Volkswagen em risco no âmbito do atual plano de reestruturação, afirmou que os custos indiretos da montadora alemã continuam mais de 30% superiores aos de empresas comparáveis, acrescentando que essa situação precisa ser combatida para que a empresa se mantenha competitiva.
O conselho de supervisão da Volkswagen tem reunião marcada para 4 de setembro para dar continuidade à discussão sobre os planos de reestruturação, segundo fontes familiarizadas com o assunto.
Embora o grupo não tenha quantificado oficialmente o número de cortes adicionais de empregos, fontes disseram à Reuters que podem chegar a 50.000, o que dobraria efetivamente as demissões em massa planejadas pelo grupo.
"O número frequentemente citado de cerca de 50.000 empregos em todo o mundo não é uma meta fixa", disse Blume, acrescentando que foi derivado do objetivo de custo da empresa em relação à concorrência e serviu "como um indicador da escala de ação necessária".
Em julho, a Volkswagen revelou planos para reduzir drasticamente sua linha de modelos e diminuir ainda mais sua capacidade produtiva. No início deste mês, as famílias controladoras da VW aumentaram a pressão sobre todas as partes interessadas e exigiram esforços drásticos de reestruturação.
Quatro fábricas da Volkswagen na Alemanha — Emden, Hannover, Zwickau e Neckarsulm — não devem atingir níveis competitivos de utilização da capacidade produtiva na década de 2030, afirmou Blume. Ele, porém, ressaltou que ainda não há nenhuma decisão sobre o fechamento de fábricas específicas.
Segundo ele, houve progressos em algumas áreas, mas ainda não é suficiente, mesmo sem considerar a pressão dos novos concorrentes da China e suas fábricas na Europa.
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