Vitória de Flávio causaria euforia no mercado, mas ele não tem projeto de governo, diz Stuhlberger
Segundo Luis Stuhlberger, da Verde Asset, uma vitória de Flávio Bolsonaro traria euforia e alívio ao mercado no curto prazo pela contenção de gastos, mas o otimismo deve ser moderado devido à falta de um plano de governo consistente para o longo prazo. Para o gestor, uma reeleição de Lula manteria os juros altos e o dólar em cerca de R$ 5,50, gerando maior risco de descontrole fiscal futuro caso o país enfrente desaceleração, enquanto o senador levaria a moeda americana a R$ 4,80 e animaria a bolsa.
O gestor Luis Stuhlberger, da Verde Asset Management, afirmou nesta quinta-feira que os ativos financeiros brasileiros devem reagir positivamente no curto prazo a uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial de outubro, mas ressaltou que os investidores não devem ficar encantados pelo otimismo, uma vez que falta um plano de governo ao principal candidato de oposição.
"Vai ter uma euforia no curto prazo, mas, no longo prazo, Flávio é um cara fraco, não tem 'punch', não tem um projeto de governo", afirmou Stuhlberger em evento da Monte Bravo, em São Paulo. "Para consertar o Brasil, você precisa de alguém muito forte, com moral. Acho que o Brasil vai ser aquele negócio: não se encante com excesso de otimismo."
Stuhlberger ressaltou, contudo, que vai considerar um alívio se o senador vencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa eleitoral, em que os dois candidatos têm aparecido em cenário de empate técnico na maioria das pesquisas.
"Mesmo que o Flávio não entregue nada muito bom, só o fato de o Lula sair já dá um alívio de imaginar o governo diminuindo a expansão de gastos", afirmou o gestor, avaliando que isso animaria tanto o investidor local quanto o estrangeiro.
Na visão de Stuhlberger, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro está, em princípio, se cercando de gente boa em sua campanha. "A Daniela Marques, assessora econômica dele, é uma pessoa excelente", afirmou, avaliando, contudo, que ela não iria para Ministério da Fazenda em caso de vitória de Flávio.
"Acho que ela vai para o Banco do Brasil. É o sonho dela, ser CEO do Banco do Brasil, que está precisando de fato de um choque de melhora", afirmou.
Olhando para os mercados no Brasil, Stuhlberger vê uma assimetria nos juros: muito ruim se Lula vencer e moderadamente bom com Flávio, porque com o juro norte-americano no nível atual a taxa no Brasil não pode cair muito. No câmbio, ele avalia que se Lula ganhar, o dólar vai para perto de R$5,50, e, com Flávio, para R$4,80. Ele pontuou, no entanto, que se chegar nesse nível o Banco Central vai comprar moeda.
Para a bolsa, o gestor avalia que pode ocorrer uma "porrada insana" se Flávio assumir o Planalto, mas não espera um movimento negativo muito forte caso Lula seja reeleito, citando que o múltiplo preço sobre lucro excluindo as ações de commodities está próximo da média dos governos petistas passados. Ele também citou que há uma exposição fraca às ações, tanto de locais como de estrangeiros.
Stuhlberger afirmou estar mais negativo do que o mercado em relação a um eventual novo governo Lula, principalmente em comparação com os estrangeiros, que veem um cenário de "mais do mesmo". Ele, porém, avalia que Lula, se ganhar, não deve começar 2027 subindo o gasto. "Eu acho que ele vai ter, pelo menos para o primeiro ano, parte do segundo ano, alguma estratégia, não sei qual é, de contenção pelo menos."
"A minha preocupação é que estamos indo para uma desaceleração econômica clara, motivada pelo consumo, pelo endividamento excessivo das famílias... e Lula já entraria num novo mandato... sem o 'goodwill'", afirmou, citando os percentuais elevados de avaliação negativa sobre o governo atual.
"E se você tem uma recessão, o governo vai ficar em pânico... vai jogar mais crédito e mais aval jogando essa conta para o futuro", afirmou. "Não acredito que o mercado será muito ruim no início, mas a chance de dar alguma coisa muito errada em um ou dois anos é grande. Acho que é uma coisa para pensar."
Ao comentar a alocação do fundo Verde, ele disse que está comprado em cerca de 13% em ações brasileiras, posição que historicamente oscila entre 10% e 30% nos últimos anos. Também afirmou que tem cerca de 9% em bolsa norte-americana, também está com exposição a TIPS de 3 anos, além de cerca de 5% em ouro, entre outros investimentos.
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