Vale tem queda de 35% no lucro do 2º tri; distribui US$1,7 bi aos acionistas
A mineradora Vale teve lucro líquido de US$1,375 bilhão no segundo trimestre, queda de 35% em relação ao mesmo período do ano anterior, informou a companhia nesta quinta-feira, em um balanço pressionado pela piora do resultado financeiro, sobretudo por efeitos de marcação a mercado de derivativos e maiores tributos sobre o lucro.
Em comunicados separados, a companhia também anunciou um novo programa de recompra de ações de até 100 milhões de papéis, divulgou o pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio no valor de US$1,7 bilhão e elevou o piso do intervalo de suas estimativas de produção de cobre e níquel para 2026.
O resultado trimestral da mineradora veio abaixo da expectativa média de analistas, de US$1,8 bilhão, conforme dados compilados pela LSEG.
O lucro líquido proforma, que exclui itens não recorrentes, totalizou US$1,6 bilhão no segundo trimestre, queda de 26% ante o mesmo período do ano passado, refletindo principalmente uma variação negativa de US$798 milhões na marcação a mercado de derivativos, ante uma forte base de comparação com um ano antes, e maiores tributos sobre o lucro, que reflete majoritariamente uma variação negativa de US$326 milhões relacionada aos efeitos cambiais sobre prejuízos fiscais em subsidiárias.
Tais efeitos, segundo a Vale, foram parcialmente compensados por um aumento de US$642 milhões no Ebitda proforma e pelo efeito da provisão da Samarco registrada no segundo trimestre de 2025, refletido nos resultados de equivalência patrimonial de coligadas e joint ventures.
"Entregamos resultados sólidos na comparação anual em todos os negócios, com o minério de ferro atingindo sua maior produção para um segundo trimestre desde 2018 e o cobre seu melhor segundo trimestre em nove anos", disse o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, no relatório financeiro da companhia.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou US$3,676 bilhões entre abril e junho, alta de 9% ante o mesmo intervalo de 2025, com avanço de preços realizados e maiores volumes de vendas, disse a empresa.
A receita líquida de vendas totalizou US$10,498 bilhões no trimestre, alta de 19% na comparação anual.
A Vale reiterou que as vendas cresceram em todos os negócios, com minério de ferro, cobre e níquel avançando 3%, 10% e 7% na base anual, respectivamente. O preço realizado de finos de minério de ferro ficou em US$95 por tonelada, alta de 12% ante o segundo trimestre de 2025, enquanto o cobre teve preço realizado de US$14.062 por tonelada, salto de 57%.
Na divisão de metais básicos, o Ebitda ajustado subiu 79%, para US$1,289 bilhão, com destaque para o cobre, cujo Ebitda avançou 91%, para US$1,026 bilhão. Em minério de ferro, o Ebitda ajustado da unidade de Soluções de Minério de Ferro cresceu 3%, para US$3,056 bilhões.
NOVAS ESTIMATIVAS
A Vale revisou os guidances de cobre e níquel para 2026, elevando a projeção de produção de cobre para 360 mil a 380 mil toneladas, ante 350 mil a 380 mil toneladas antes, e a de níquel para 185 mil a 200 mil toneladas, de 175 mil a 200 mil toneladas anteriormente, refletindo o forte desempenho operacional dos dois segmentos no primeiro semestre, segundo a empresa.
A companhia também reduziu suas estimativas de custos all-in, passando a prever no cobre faixa de até US$500 por tonelada, ante US$1.000 a US$1.500 antes, e no níquel de US$10.000 a US$11.500 por tonelada, frente a US$12.000 a US$13.500 anteriormente, citando perspectivas mais favoráveis para preços de subprodutos e ganhos operacionais.
O fluxo de caixa livre recorrente atingiu US$1,505 bilhão no trimestre, 49% acima do registrado um ano antes, impulsionado pelo maior Ebitda proforma e por menor pagamento de tributos. A dívida líquida expandida encerrou junho em US$16,677 bilhões, queda de US$1,1 bilhão frente ao trimestre anterior.
AVANÇO DE PROJETOS
A Vale também anunciou avanços no portfólio de projetos de alto retorno e baixa intensidade de capital, incluindo o comissionamento do transportador de correia de longa distância do projeto de minério de ferro Serra Sul +20 e o adiantamento do cronograma do projeto de cobre Bacaba.
Em conjunto com o projeto Britador de Compactos S11D, cujo start-up está previsto para o quarto trimestre, o Serra Sul +20 visa adicionar 20 milhões de toneladas por ano de capacidade de produção e aumentar a flexibilidade operacional do S11D, localizado em Canaã dos Carajás, Pará.
Em conjunto, os projetos Capanema, VGR1 e Serra Sul +20 representam marcos importantes no plano da Vale de aumentar de forma sustentável sua produção de minério de ferro para aproximadamente 360 milhões de toneladas por ano em 2030, ao mesmo tempo em que ampliam a flexibilidade de seu portfólio de produtos de minério de ferro.
"O início da operação do Serra Sul +20 fortalecerá ainda mais nossa posição em S11D, nossa operação de minério de ferro mais competitiva. No cobre, o projeto Bacaba avança à frente do cronograma, sendo um dos marcos rumo à nossa ambição de dobrar a produção de cobre até 2035", disse Pimenta, no relatório.
As obras de construção do projeto Bacaba, também em Canaã dos Carajás, atingiram 39% de progresso físico ao final do segundo trimestre e o seu start-up está agora previsto para o terceiro trimestre de 2027, ante primeiro semestre de 2028 originalmente.
No segundo trimestre, a Vale investiu US$1,128 bilhão, alta de 7% ante um ano antes e em linha com o guidance para 2026. Desse total, US$ 819 milhões foram destinados ao negócio de minério de ferro e US$ 284 milhões a metais básicos, com destaque para cobre (US$ 118 milhões) e níquel (US$ 166 milhões).
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