Unilever alerta para aumentos de preços à medida que custos da guerra no Irã se acumulam
A Unilever anunciou que acelerará o aumento de preços a partir do quarto trimestre para repassar a alta de custos provocada pela guerra envolvendo o Irã, alinhando-se a gigantes como Nestlé e P&G. A medida visa proteger as margens de lucro, apesar do risco de migração dos consumidores para marcas próprias. No terceiro trimestre, a empresa superou projeções com alta de 5,2% nas vendas, mas suas ações caíram 3,4% devido à desaceleração no crescimento do volume negociado.
A Unilever prevê que os aumentos de preços se intensifiquem no quarto trimestre e no próximo ano, informou a empresa nesta quarta-feira, alinhando-se a outras fabricantes de bens de consumo que já anunciaram que repassarão aos clientes o aumento nos custos relacionado à guerra com o Irã.
Grandes empresas, incluindo a Coca-Cola , a Procter & Gamble , a Nestlé e a Reckitt , alertaram para o risco de novos aumentos de preços no próximo ano para compensar o impacto da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, que começou no final de fevereiro.
Cada uma dessas empresas aumentou drasticamente os preços durante a pandemia da Covid-19 e nos primeiros meses da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia. Desde então, elas passaram anos tentando reconquistar consumidores que se afastaram e passaram a optar por produtos de marca própria mais baratos. Agora, enfrentam a realidade de ter que aumentar os preços novamente para proteger as margens dos acionistas.
"Definitivamente, esperamos que os preços em 2027 sejam mais altos do que a média de 2026", disse o presidente-executivo Fernando Fernandez. "Agora que temos mais clareza sobre isso (o ambiente de custos), estamos acelerando os aumentos de preços."
"Vamos garantir um bom equilíbrio entre volume e preços em tudo o que fizermos no curto e no médio prazo", acrescentou.
A Unilever, cujas inovações e foco em marketing ajudaram a empresa a recuperar a demanda após a pandemia, conseguiu este ano repassar parte do aumento nos custos das matérias-primas aos consumidores sem prejudicar os volumes de vendas.
As ações caíam 3,4% na quarta-feira, já que a Unilever também divulgou um crescimento do volume de vendas no terceiro trimestre mais lento do que no segundo trimestre, prejudicado pelo seu negócio de alimentos.
A Unilever divulgou um crescimento subjacente das vendas de 5,2% no trimestre, acima dos 4,8% esperados pelos analistas em um consenso elaborado pela empresa.
A empresa também manteve suas projeções de vendas e margem de lucro para 2026 e afirmou que espera um crescimento subjacente das vendas de cerca de 5% no segundo semestre de 2026. Ela prevê um crescimento subjacente do volume no ano inteiro de pelo menos 3%, acima da projeção anterior de cerca de 3%, após registrar um crescimento de volume de 2,9% no terceiro trimestre e um aumento de preços de 2,3%.
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