Taxas dos DIs oscilam perto da estabilidade com mercado à espera do Fed
Após forte volatilidade pós-eleição, as taxas dos DIs operavam perto da estabilidade, alinhadas à cautela externa antes da decisão de juros do Federal Reserve, em meio a tensões no Oriente Médio e petróleo em alta. No cenário doméstico, além da reação à vitória de Lula, o mercado repercutiu a fuga para os EUA do senador derrotado Flávio Bolsonaro, que descumpriu ordem do STF para entregar o passaporte. O foco global segue nas pistas do Fed sobre possíveis altas de juros ainda neste ano.
Depois da forte volatilidade dos últimos dias, na esteira da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as taxas dos DIs operavam próximas da estabilidade nesta manhã de quarta-feira, enquanto no exterior os rendimentos dos Treasuries também mostravam acomodação antes da decisão sobre juros do Federal Reserve nesta tarde.
Às 10h21, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,36%, em baixa de 2 pontos-base ante o ajuste de 14,381% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,915%, com alta de 1 ponto-base ante 14,907%.
Na segunda-feira as taxas dispararam mais de 250 pontos-base em alguns vencimentos, com os agentes reagindo negativamente à vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), o favorito da Faria Lima. Na terça-feira houve certo ajuste de baixa, com as taxas cedendo aproximadamente entre 30 e 40 pontos-base ao longo da curva.
Nesta quarta-feira as taxas voltaram a subir após a abertura, mas em movimento modesto, para depois se reaproximarem da estabilidade.
O evento econômico do dia é a decisão sobre juros do Federal Reserve, às 15h (horário de Brasília). Nesta manhã, os futuros dos Fed Funds precificavam em 90,6% a chance de manutenção dos juros norte-americanos na faixa de 3,75% a 4,00%, contra 9,4% de probabilidade de aumento de 25 pontos-base, conforme a Ferramenta CME FedWatch.
Às 10h21, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha alta de 1 ponto-base, a 4,749%. Já o retorno do título de dez anos --referência global para decisões de investimento-- mostrava estabilidade, a 4,995%.
Mais do que a decisão em si, os agentes estarão atentos a possíveis indicações do Fed sobre a possibilidade de uma alta em dezembro, tendo em vista a pressão inflacionária e a continuidade da guerra no Oriente Médio.
Juros mais altos nos EUA, no limite, são um fator de pressão de alta para a curva brasileira.
Nesta manhã, o petróleo Brent voltou a subir para acima dos US$115 o barril, mantendo as preocupações com os impactos inflacionários da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
No Brasil, com a agenda de indicadores esvaziada, as atenções seguiam voltadas para a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado à Presidência, para os EUA. O avião que transportava o senador e sua família chegou nesta manhã de quarta-feira em Miami, onde eles receberão vistos de entrada do governo dos EUA.
Investigado em inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio descumpriu a ordem para entregar seus passaportes e saiu do país dois dias depois de perder a eleição para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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