UBS rejeita plano de regras de capital da Suíça e pede alternativas menos onerosas
O UBS rejeitou propostas do governo suíço para fortalecer o regramento do setor bancário após o colapso do Credit Suisse, afirmando nesta segunda-feira que o plano tornará a Suíça não competitiva e que é necessário um conjunto de normas menos caro.
O Partido Popular Suíço, de direita, disse ser favorável a um compromisso para garantir que o UBS seja competitivo internacionalmente, enquanto os social-democratas e o Partido Verde, de centro-esquerda, apoiaram as propostas.
O UBS tornou-se o único banco global da Suíça depois que o antigo rival, o Credit Suisse, implodiu em 2023. O governo suíço se comprometeu, então, a elaborar novas regras com o objetivo de evitar a repetição da crise e garantir que os contribuintes não fossem prejudicados.
O maior gestor de fortunas da Europa disse que o pacote de requisitos de capital mais rigorosos - no centro do qual estão as propostas para obrigá-lo a capitalizar totalmente suas subsidiárias estrangeiras - pode fazer com que o banco precise deter US$24 bilhões em capital adicional.
"A proposta levará a enormes custos adicionais e colocará em risco a continuidade do modelo de negócios bem-sucedido", disse o UBS, argumentando que as medidas apresentadas para as unidades estrangeiras são desproporcionais e não estão em sintonia com concorrentes internacionais.
O governo lançou consultas sobre as propostas em setembro e deu às partes interessadas até o início de janeiro para responderem.
A associação empresarial Economiesuisse disse que os custos de capital mais altos terão um impacto negativo sobre a indústria suíça.
CUSTOS ADICIONAIS
Para evitar ter de cobrir requisitos mais rigorosos de capital nível 1, o UBS disse que é importante considerar dívida adicional Tier 1 (AT1) e títulos de resgate.
O UBS disse que os instrumentos AT1 deveriam ser fortalecidos e tratados de acordo com a prática seguida na União Europeia e no Reino Unido. Caso contrário, os custos mais elevados de capital levarão a custos adicionais para os clientes e a uma oferta de crédito mais restrita, acrescentou.
Se os reguladores suíços tivessem aplicado corretamente as regras existentes, o Credit Suisse teria tido que fazer ajustes mais cedo, o que teria garantido sua sobrevivência, disse o UBS em comunicado.
A Associação Bancária Suíça corroborou essa afirmação, dizendo que a crise do Credit Suisse não foi causada por requisitos de capital muito frouxos, mas por excesso de flexibilidade regulatória. "Simplesmente evitar tais concessões no futuro seria totalmente suficiente", disse o grupo.
Embora o governo suíço tenha mantido publicamente postura linha dura, fontes familiarizadas com o assunto dizem que deve surgir um acordo.
A Reuters noticiou em dezembro que o governo suíço estava se preparando para diluir algumas novas regras sobre as quais tem controle direto, enquanto legisladores disseram que o Parlamento provavelmente optará por regulamentações mais moderadas do que as inicialmente propostas pelas autoridades.
As ações do UBS acumularam alta de mais de 20% desde o início de dezembro, impulsionadas em parte pelo otimismo de que as regras de capital serão atenuadas.