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Tesouro pode fazer atuação extraordinária no mercado de títulos se necessário, diz coordenador

26 jun 2026 - 16h16
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O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública ‌do Tesouro Nacional, Helano Dias, afirmou nesta sexta-feira que a gestão da dívida pública busca garantir o financiamento do governo, mas também observa a funcionalidade do mercado, ressaltando que o órgão poderá fazer atuações extraordinárias se necessário.

Em entrevista coletiva, Dias afirmou que o mercado teve "dificuldade técnica" maior no período recente, o que ⁠levou o Tesouro a cancelar o leilão de Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B) ‌programado para a terça-feira desta semana.

"A gente continua monitorando o mercado. Se houver alguma percepção de que a gente tenha que contribuir de uma maneira ‌não ordinária... a gente vai informar o mercado", ‌disse, antes de ponderar que a situação do mercado melhorou nos ⁠últimos dias.

Dias afirmou que o Tesouro segue uma espécie de protocolo quando o mercado apresenta volatilidade elevada ou algum tipo de problema, com etapas que não necessariamente precisam ser seguidas em ordem sequencial.

A primeira delas é uma redução do nível de oferta de títulos. A segunda seria o que ele chamou de "oferta ‌de crise", um lote muito pequeno de títulos para não gerar pressão no mercado.

O ‌terceiro movimento, segundo ele, seria ⁠o próprio cancelamento ⁠de leilões. Por fim, o Tesouro pode atuar com leilões de compra e venda de ⁠títulos ou mesmo apenas recomprando papéis ‌para dar liquidez ao mercado.

Em ‌março, o Tesouro fez intervenções pesadas no mercado ao fazer recompras de títulos públicos para reduzir distorções no mercado em meio à forte pressão trazida naquele momento pelo início da guerra no Oriente Médio.

O coordenador afirmou que ⁠uma série de fatores têm contribuído para uma performance técnica pior das NTN-Bs -- que pagam aos investidores a variação da inflação mais uma taxa prefixada.

Entre os fatores que tiram a atratividade desse título, segundo ele, está a percepção de que inflação será controlada ao ‌longo do tempo e a previsão de aumento dos juros nos EUA.

"A gente tem um nível elevado de reserva de liquidez, que nos dá um grau ⁠de tranquilidade, que nos permite contribuir para que o mercado respire e possa voltar a fluir de maneira normal, e a gente possa voltar a emitir o mais breve possível", disse.

Após as NTN-Bs atingirem remunerações reais superiores a 8% ao ano no período recente, Dias afirmou que o Tesouro atua para aliviar pressões do mercado, mas é apenas um tomador de preços.

"O nível dos juros é uma questão não para o Tesouro, mas uma questão da macroeconomia do país. Não tenho dúvida que o Brasil pode melhorar em vários aspectos, mas também tenho certeza que o país tem um bom posicionamento", disse, citando o nível confortável de reservas internacionais, investimentos estrangeiros consistentes e uma economia que tem surpreendido.

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