Taxas dos DIs descolam do exterior e têm leve queda
As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) operam em leve queda na manhã desta terça-feira, dando continuidade à tendência observada no mercado de renda fixa doméstico na véspera e descolando do movimento global, onde as taxas operam em níveis recordes diante de novas preocupações com a inflação global.
Às 10h40, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,92%, ante o ajuste de 14,000% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,725%, ante o ajuste de 14,748%.
Enquanto isso, no exterior, os rendimentos dos títulos de 30 anos nos Estados Unidos, o mercado de títulos mais importante do mundo em termos sistêmicos, atingiram seu nível mais alto desde 2007, à medida que os preços do petróleo voltaram a ultrapassar os US$90 por barril.
Os movimentos acontecem em meio ao que está sendo visto como uma redução das chances de um acordo de paz no Oriente Médio depois que o Irã afirmou que adotará uma postura militar "totalmente ofensiva", uma vez que os esforços para negociar um fim definitivo à guerra com os Estados Unidos estagnaram, disse uma autoridade iraniana de alto escalão à Reuters.
Além dos Treasuries, o estresse na renda fixa também se dá em outros mercados, como no Japão, onde as taxas de 10 anos operam em patamar próximo a 3%, o maior em três décadas. Por sua vez, na Europa, o rendimento dos títulos alemães de 10 anos atingiu o nível mais alto desde 2011, enquanto os rendimentos dos papéis franceses estavam no nível mais alto desde 2009 e taxas dos títulos britânicos de 30 anos se aproximaram dos picos atingidos em maio, que marcaram os níveis mais altos desde 1998.
Além da situação geopolítica, que pressiona o petróleo e consequentemente a perspectiva de inflação, o movimento na renda fixa global também se dá por problemas relacionados à divida publica desse países.
"Existe uma preocupação crescente com o cenário fiscal. O déficit público dos Estados Unidos permanece bastante expressivo, enquanto o Japão também enfrenta um quadro fiscal desafiador. Há ainda a perspectiva de que a Alemanha aumente os gastos públicos e, consequentemente, o déficit. Essas preocupações com a expansão dos gastos governamentais também contribuem para que os investidores exijam rendimentos maiores", disse Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX.
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