Taxas curtas caem com retração do varejo, enquanto cenário político segue no radar
As taxas futuras de juros de curto prazo recuaram após o varejo cair 0,8% em julho, reforçando as apostas de corte na Selic, enquanto os contratos longos oscilaram de lado acompanhando a alta dos Treasuries. Paralelamente, o mercado monitora o cenário político com a pesquisa CNT/MDA apontando liderança de Lula sobre Flávio Bolsonaro e a expectativa para a sessão do STF sobre eventual investigação contra Alexandre de Moraes no caso Master, em meio a alegações do ministro de perseguição política.
As taxas dos DIs de curto prazo operavam com leves baixas nesta manhã de terça-feira, após dados mostrarem recuo maior que o esperado no varejo em julho, enquanto as taxas longas se mantinham próximas dos ajustes da véspera, em meio ao avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior.
No Brasil, os investidores também estão atentos às movimentações políticas após nova pesquisa eleitoral e antes de sessão no Supremo Tribunal Federal (STF).
Às 9h58, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,585%, em baixa de 4 pontos-base ante o ajuste de 13,629% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,29%, com elevação de 1 ponto-base ante 14,277%.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que as vendas no varejo recuaram 0,8% em julho ante junho, uma retração maior que a queda de 0,20% projetada por economistas consultados pela Reuters. Em relação a julho do ano passado houve alta de 1,2%, menos que os 2,15% esperados.
Os números somam-se a uma série de outros dados econômicos que sugerem uma desaceleração da atividade, reforçando a perspectiva dos investidores de corte de 25 pontos-base da Selic nesta semana, com possibilidade de nova redução em novembro. Atualmente a Selic está em 14%.
No campo político, a nova pesquisa CNT/MDA destoou de outros levantamentos eleitorais mais recentes ao mostrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Na simulação de segundo turno, Lula tem 47,3% e Flávio soma 40%. Como a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, o petista lidera fora da margem de erro. Na segunda-feira, pesquisas da Quaest e do instituto Nexus mostraram empate técnico entre os dois.
Com possíveis implicações para a disputa presidencial, os ministros do STF vão se reunir nesta terça-feira para discutir possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes no caso Master.
Em uma manifestação entregue nesta manhã ao presidente da corte, Edson Fachin, Moraes negou irregularidades e disse ser vítima de investigação ilegal, com motivação político-eleitoral e de vingança, por ter sido o relator do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.
No exterior, às 9h58 o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 3 pontos-base, a 4,996%.
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