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Taxa de desemprego no Brasil sobe a 6,1% no 1º tri, maior nível desde maio de 2025

30 abr 2026 - 09h05
(atualizado às 10h19)
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‌O Brasil registrou nova alta na taxa de desemprego no primeiro trimestre na comparação com os três meses anteriores, atingindo o maior nível desde maio de 2025 sob o impacto de efeitos sazonais mas ainda assim marcando a menor leitura da série para um trimestre encerrado em março, em meio a um esfriamento gradual do mercado de trabalho.

A taxa de desemprego subiu ⁠a 6,1% nos três primeiros meses do ano em comparação com 5,1% no quarto trimestre de ‌2025, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

Essa é a taxa mais elevada desde os três meses encerrados em maio de 2025, quando o desemprego foi de ‌6,2%, última vez que o indicador havia ficado na casa ‌dos 6%. No primeiro trimestre de 2025 a taxa de desemprego foi de ⁠7,0%.

O resultado do primeiro trimestre deste ano ficou em linha com a expectativa de economistas consultados em pesquisa da Reuters.

"Essa expansão já era esperada porque vem logo após as contratações de fim de ano, sobretudo comércio, serviços domésticos e administração pública", disse a coordenadora do IBGE, Adriana Beringuy.

"O mercado sofre no primeiro trimestre uma fricção sazonal, mas no geral está melhor quando se ‌olha para ocupação, nível de ocupação, carteira de trabalho. Tudo isso é maior e melhor que ‌no começo de 2025."

A renda ⁠média real dos trabalhadores ⁠chegou a novo valor recorde no período, R$3.722, aumento de 1,6% no trimestre e 5,5% no ano, já ⁠descontada a inflação nos dois períodos.

Analistas preveem que ‌a taxa de desemprego deve registrar ‌alta gradual ao longo deste ano depois de ter alcançado os menores valores da história, acompanhando o enfraquecimento esperado da economia, porém com o mercado de trabalho ainda resiliente.

Essa resiliência ajuda a sustentar a demanda das famílias e a renda, ponto de atenção ⁠do Banco Central, que na véspera voltou a cortar a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,50%.

"Para 2026, a tendência é de um mercado de trabalho ainda resiliente, que deve seguir como um dos principais vetores de sustentação do consumo das famílias e do PIB. Mesmo diante da desaceleração ‌da atividade econômica, projetamos uma queda gradual da taxa de desemprego nos próximos meses, encerrando o ano abaixo de 6%", disse Rafael Perez, economista da Suno Research.

No primeiro trimestre, o número ⁠de desempregados saltou 19,6% ante os três meses anteriores, a 6,579 milhões, o que representou uma queda de 13,0% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Já o total de ocupados caiu 1,0% na comparação trimestral e aumentou 1,5% sobre o primeiro trimestre do ano passado, chegando a 101,976 milhões.

Os trabalhadores com carteira assinada no setor privado registraram recuo de 0,6% nos três meses até março sobre o quarto trimestre, enquanto os que não tinham carteira diminuíram 2,1%.

"Vemos um mercado de trabalho ainda robusto, mas com piora em alguns indicadores importantes, como o aumento da população desocupação e queda da população ocupada. Porém, a PNAD é uma média móvel trimestral, e os impactos do conflito no Irã na renda real em particular, e no mercado de trabalho em geral, só irão ficar mais visíveis nas próximas leituras", avaliou André Valério, economista sênior do Inter.

(Edição de Isabel Versiani)

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