Setor energético precisa avaliar cenários mais extremos, afirma consultor do Banco Mundial
Painel no Energy Summit debateu preocupações e rumos da transição energética diante das tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz
RIO - Diante das tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz e da volatilidade do petróleo, o setor de combustíveis olha com atenção os possíveis impactos na segurança energética global. Na avaliação do consultor de políticas públicas de energia do Banco Mundial, Maurício Tolmasquim, o segmento precisa avançar suas análises de risco considerando cenários mais extremos, assim como faz parte do setor elétrico.
"Claro que isso tem custo, mas é preciso trazer essa visão de risco, para em algum momento pensar que talvez valha a pena pagar um seguro, pois em algum momento poderá ser valioso", disse o executivo em painel do Energy Summit desta quarta-feira, 24, no Rio de Janeiro.
Conforme relatório recente do Fórum Econômico Mundial, a interrupção em Ormuz, responsável por cerca de um quinto do óleo transportado por mar no mundo, desencadeou um dos choques de preços mais intensos desde 2022. Países emergentes, mais dependentes de importações e com menor capacidade fiscal, sentiram o impacto de forma mais aguda, sendo forçados a escolher entre acesso, custo e investimento em transição.
Tolmasquim, que também atua no conselho de administração da Axia Energia, entende que a produção e consumo do petróleo devem continuar por um "bom tempo". E que as vulnerabilidades do país na cadeia de alguns combustíveis e derivados podem ser resolvidos com novas refinarias, a depender do tipo de equação de custo. "Se não repor as reservas, acaba não tendo como manter a produção", sinaliza o executivo.
Alternativas para geração de energia
Em sua fala, o consultor considerou também outros recursos complementares no pacote da transição energética, como o uso da biomassa para descarbonizar o setor de transporte, via etanol, biodiesel, SAF, assim como o biometano, que pode ser um substituto do gás natural para frota de caminhões. Já as renováveis crescem de importância com o aumento da eletrificação da indústria via bombas de calor, ou da própria mobilidade elétrica.
"Renováveis ganham importância na transição, não tanto pela questão climática, mas para segurança de abastecimento, visto serem fontes domésticas", indica o especialista. No entanto, ele salienta que nesse mercado é preciso ter cuidados e buscar promover uma maior nacionalização da indústria, já que a maioria da produção de equipamentos acontece na China.
Também convidado para o debate, o Professor do Energy Hub SDP, Marcelo Simas, coloca a diminuição da produção fóssil como algo inimaginável diante do cenário geopolítico atual, do protagonismo brasileiro nesse setor, além dos potenciais brasileiros na Margem Equatorial e na Bacia de Pelotas. "O pré-sal está no ocaso e precisamos de novas fronteiras", comentou o especialista.
Ele ainda ressalta que a exploração de óleo e gás representa apenas 1% das emissões de gases de efeito estufa. Enquanto a maioria das emissões tem origem nas atividades de desmatamento, queimadas e mau uso do solo."Em 2030 vamos estar entre os cinco maiores produtores de petróleo, atrás de Estados Unidos, Rússia, Arabia Saudita e Canadá", projetou Simas, a partir de dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Ademais, o professor destacou que o hub de inovação setorial privado criado pelo Grupo Sai do Papel está iniciando um projeto que visa reduzir as dependência do país nas importações de diesel (30%) e de fertilizantes.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.