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Setor de serviços cai 2,2% em julho, mostra IBGE

Resultado é o pior para o mês desde 2011; em relação a julho de 2017, queda foi de 0,3%, quinta taxa negativa seguida nessa base de comparação

14 set 2018
09h11
atualizado às 11h08
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RIO - O volume de serviços prestados teve queda de 2,2% em julho ante junho, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 14. Foi o pior resultado para o mês desde 2011.

Na comparação com julho do ano anterior houve queda de 0,30%. Segundo o IBGE, foi o quinto mês seguido de queda nessa base de comparação. A taxa acumulada pelo volume de serviços prestados no ano ficou negativa em 0,8%, enquanto o volume acumulado em 12 meses registrou perda de 1,0%.

A queda de 2,2% ficou perto do piso das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que previam desde uma queda de 2,50% a um avanço de 0,40%, com mediana negativa de 0,95%.

Com o recuo divulgado nesta sexta, a perda acumulada no setor ficou em 1,0% entre maio e julho, informou o gerente da PMS, Rodrigo Lobo. Isso significa que o nível do volume de serviços prestados está 1,0% abaixo do que estava antes da greve dos caminhoneiros, em maio. Lobo chamou atenção para a volatilidade. "O volume cai em maio, sobe em junho, devolve em julho", afirmou o pesquisador.

Em julho, o nível do volume de serviços prestados ficou 12,9% abaixo do pico histórico, registrado em janeiro de 2014, antes da recessão. O nível está pouco acima do mais baixo da série, registrado em maio passado, quando o nível do volume de serviços prestados estava 15,0% abaixo do pico.

A percepção dos economistas é de que a perda de ímpeto da recuperação da economia vai além dos efeitos da greve dos caminhoneiros. As vendas do varejo corroboram essa ideia, ao mostrarem desempenho mais fraco que o esperado, conforme analistas.

Na opinião do economista-chefe da Parallaxis, Rafael Leão, os primeiros sete meses apresentaram um padrão errático no resultados mensais do varejo, em linha com o que foi visto no segundo semestre de 2017. Em sua visão, o desempenho reflete uma economia que segue sem tração, com mercado de trabalho desaquecido, agora somado às incertezas de ordem eleitoral e da conjuntura externa.

"Além disso, há o impacto da greve no setor de transportes, observada nos meses de maio e junho e que parece arrastar-se até julho", avalia. A projeção da consultoria era de recuo de 1,60% para o volume de serviços no sexto mês do ano.

4 das 5 atividades de serviços caem em julho

A queda no volume de serviços prestados em julho ante junho ocorreu em quatro das cinco atividades investigadas pela Pesquisa Mensal de Serviços. Nessa base de comparação, o principal impacto negativo veio dos serviços de transportes, com queda de 4,0%. Dentro dessa atividade, o serviço de transporte aéreo tombou 28,6%. Segundo o gerente da PMS, Rodrigo Lobo, a inflação foi a principal responsável por isso - o preço das passagens aéreas subiu em julho, conforme o IPCA.

Na contramão, os serviços prestados às famílias avançaram 3,1% em junho ante julho. Como essa atividade pesa menos no setor como um todo, o volume de serviços prestados acaba ficando no terreno negativo por causa da demanda das empresas. Na comparação de julho com julho de 2017, a queda de 0,3% no volume total dos serviços prestados foi puxada pelos serviços profissionais e administrativos, que encolheu 2,8%./COLABOROU CAIO RINALDI

Estadão Conteúdo

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