Receita publicará medida para obrigar identificação de pessoa física final em cadeia de fundos
Segundo o secretário da Receita, Robinson Barreirinhas, medida está em conformidade com melhores práticas do mundo, diante de brechas para o crime organizado
O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, disse que o órgão publicará normativa para identificar o beneficiário final pessoa física na cadeia de fundos, visto que ainda existem muitas brechas para o crime organizado.
"Os administradores de fundos de investimentos terão que identificar quem é a pessoa física final da cadeia dos fundos exclusivos, aqueles com poucos cotistas, como observamos na Operação Carbono Oculto", afirmou.
De acordo com Barreirinhas, a medida da Receita, que está em conformidade com as melhores práticas do mundo, será discutida em breve com integrantes do mercado.
Ainda segundo o secretário da Receita, com os desdobramentos observados nesta quinta-feira, a avaliação é de que a infiltração do crime organizado é muito mais profunda do que aparentava na Operação Carbono Oculto. As afirmações foram feitas na manhã desta quinta durante entrevista à imprensa da Operação Spare, na sede do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).
Na entrevista, foi apontado que o elo em comum entre as operações Carbono Oculto e Spare, que investigam a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado formal, é uma fintech. Adicionalmente, uma medida cautelar fiscal garantiu o bloqueio de R$ 7,7 bilhões em bens de 55 réus envolvidos nas investigações.
Nesta quinta, 25 mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos nas cidades de São Paulo, Santo André, Barueri, Bertioga, Campos do Jordão e Osasco. Participam da operação 64 servidores da Receita Federal e 28 do MPSP, além de representantes da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz/SP) e cerca de 100 policiais militares.