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Proprietária da Gucci registra queda de 12% enquanto setor de luxo se prepara para um inverno difícil

23 out 2026 - 09h35
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Resumo
As ações da Kering caíram 12% após nova baixa nas vendas da Gucci, levando ao fechamento acelerado de lojas. O setor de luxo enfrenta um cenário desafiador, com quedas também na LVMH e Hermès, pressionadas pelo conflito no Oriente Médio, medidas fiscais e retração do consumo na China, além da alta do petróleo e distúrbios em Paris. Diante da resistência dos consumidores aos preços elevados e do fluxo reduzido de clientes, a esperada recuperação das marcas segue distante e em ritmo gradual.

As ações da Kering , proprietária da Gucci, ‌despencavam 12% na sexta-feira, depois que o grupo divulgou novas quedas nas vendas, mas afirmou que manteria o plano de recuperação do presidente-executivo Luca de Meo e aceleraria o fechamento de lojas, com a meta de chegar a 125 até o final do ano.

A recuperação há muito prometida pelas marcas de luxo parece ⁠não estar à vista, já que a expansão da guerra no Oriente Médio, juntamente ‌com as medidas fiscais da China contra os ricos, exerceram ainda mais pressão sobre os maiores conglomerados de luxo do mundo no terceiro trimestre, e ‌os executivos se prepararam para um inverno difícil.

Os ‌distúrbios em Paris, que deixaram as vitrines da Louis Vuitton destruídas e ⁠fogueiras com bicicletas elétricas perto da Place Vendôme — meca das compras de luxo —, destacaram com clareza o risco político enfrentado pelas marcas de luxo, não apenas no exterior, mas também em seu próprio país.

As ações da LVMH e da Hermès também caíam entre 1% e 1,5% na sexta-feira, à medida que os preços do petróleo ‌atingiram seu nível mais alto desde o início de maio, agravando a pressão sobre ‌as famílias, o que ⁠tem restringido a capacidade ⁠dos consumidores de gastar com bolsas e roupas.

Harsharan Mann, gestora de carteiras de ações globais ⁠da Aviva Investors em Londres, afirmou que ‌as marcas de luxo talvez ‌precisem reduzir ainda mais os preços dos produtos básicos para atrair os consumidores de volta.

"Se os preços ainda estiverem um pouco fora da realidade ou se o consumidor ainda achar que os preços são altos demais para ⁠aceitar, então você pode ter a melhor criatividade, mas será que o consumidor vai se interessar pelo produto?", disse ela.

GUCCI ENFRENTA DIFICULDADES PARA SE RECUPERAR

O declínio da Gucci continuou, apesar do plano de de Meo de tornar os preços da marca mais atraentes para os ‌consumidores de classe média e da coleção "Primavera" do diretor criativo Demna — incluindo um vestido justo incrustado de cristais de US$5.900 —, que chegou às lojas em meados ⁠de julho. As vendas da Gucci melhoraram no atacado, mas caíram 6% no total.

"O progresso alcançado na melhoria da atratividade da marca ainda está em um estágio muito inicial", afirmou a analista do JPMorgan, Chiara Battistini, em uma nota. O diretor financeiro da Kering disse que a recuperação da marca seria "gradual" e que o baixo fluxo de clientes era o principal desafio, especialmente na China.

Enquanto a Kering luta para concretizar uma recuperação em um cenário econômico desfavorável, até mesmo a Hermes, marca de luxo, mostra sinais de desaceleração, com sua divisão de prêt-à-porter registrando queda de 2% no terceiro trimestre devido à fraca demanda chinesa. No geral, a Hermes registrou seu menor crescimento trimestral de vendas desde 2020.

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