Preço do diesel S-10 sobe 6,5% em setembro e atinge maior valor desde abril, aponta ANP
Impulsionado pela escalada do petróleo acima de US$ 100 diante de tensões geopolíticas, o preço médio do diesel S-10 no Brasil subiu 6,5% em setembro, atingindo R$ 7,33 por litro — o maior valor desde abril. O avanço ocorreu apesar dos subsídios estatais e da estabilidade nos preços da Petrobras. A defasagem em relação ao mercado externo preocupa importadores privados, enquanto produtores rurais do Rio Grande do Sul já alertam a ANP sobre restrições e riscos de desabastecimento na safra.
O preço médio do diesel S-10 nos postos brasileiros subiu 6,5% no acumulado de setembro e atingiu o maior patamar desde abril, indicaram nesta sexta-feira dados da agência reguladora ANP, apontando impactos da alta das cotações do mercado global para o Brasil, um importador do combustível.
Nesta semana, o combustível foi vendido a R$7,33 por litro na média nacional, ante R$6,88 na semana entre o final de agosto e início deste mês e acima dos R$7,13 registrados na semana anterior, com alta semanal de 2,8%.
O valor atual, o maior desde a média de R$7,38/litro registrada entre 19 e 25 de abril, foi registrado após nova escalada dos preços do petróleo no mercado internacional em setembro, quando o Brent voltou a superar US$100 o barril diante de tensões geopolíticas e ataques no Oriente Médio relacionados ao Irã.
Além disso, com a oferta global escassa -- em momento em que as refinarias russas são atingidas por ataques ucranianos --, o diesel no varejo dos Estados Unidos atingiu um patamar recorde este mês, levando o presidente Donald Trump a manifestar apoio a uma proibição, não efetivada, das exportações do combustível norte-americano.
No Brasil, as cotações do combustível mais consumido subiram apesar de o governo brasileiro ter elevado os subsídios ao diesel para tentar minimizar os impactos dos preços mais altos no exterior, enquanto a Petrobras aderiu ao programa governamental, mantendo seus preços estáveis.
Contudo, uma defasagem recorde registrada entre o preço da Petrobras e as cotações internacionais levantou preocupações sobre o adiamento de compras externas por importadores privados. Cerca de 30% do consumo nacional é atendido por importações.
Executivos da Petrobras afirmaram esta semana que a empresa já realizou importações necessárias ao país em outubro, e que está mantendo sua produção em níveis elevados, para dar conta da demanda no próximo mês, que é uma das mais altas do ano devido ao plantio da safra de soja.
Neste período de maior demanda no Brasil, a federação de agricultores do Rio Grande do Sul (Farsul) tem alertado para restrições da oferta de diesel no Estado e sobre uma "crise" de abastecimento, tendo protocolado queixas à ANP.
Nesta sexta-feira, a Farsul reforçou que vem denunciando o problema desde o dia 11 de setembro, quando alertou para restrições e atrasos na entrega de diesel aos produtores, "em um cenário semelhante ao vivido no início de 2026, durante a colheita de arroz e soja". Naquele período, houve impacto nos preços do início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã.
Anteriormente, a ANP afirmou que não verificou problemas na oferta de diesel este mês no Rio Grande do Sul. Procurada nesta sexta-feira, a agência não retornou imediatamente pedidos de comentários.
Entre os demais combustíveis pesquisados pela ANP, a gasolina comum registrou leve alta semanal de 0,15%, para R$6,55 por litro.
O etanol hidratado vendido nos postos subiu 0,49% na semana, para R$4,10 por litro, ante R$4,08 na semana anterior.
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