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Petrobras domina leilão de petróleo e gás da ANP com investimento de R$ 3,2 bilhões

Mais do que a disputa por novas fronteiras, os leilões mostraram uma estratégia cada vez mais voltada para áreas próximas de operações já existentes

7 out 2026 - 20h01
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Resumo
O governo arrecadou R$ 3,5 bilhões em leilões de petróleo e gás da ANP, impulsionado pela Petrobras, que investiu R$ 3,2 bilhões e arrematou 21 dos 59 blocos ofertados, com foco nas bacias de Campos e Ceará. As petroleiras priorizaram ativos próximos a operações existentes para reduzir custos e gerar sinergias, beneficiando também empresas como Prio e Equinor. O certame gerou receita não prevista à União e deve marcar a última edição do evento realizada no Rio de Janeiro antes da ida para a B3.

RIO - Com a Petrobras como protagonista, o governo arrecadou, nesta quarta-feira, 7, R$ 3,5 bilhões em dois leilões de áreas de exploração de petróleo e gás no País. Só a estatal desembolsou R$ 3,2 bilhões para arrematar 21 dos 59 blocos vendidos. A estatal fez também o maior lance do leilão, de R$ 754,2 milhões por um bloco na Bacia de Campos. O ágio foi de cerca de 21.000% em relação ao valor inicial mínimo de R$ 3,5 milhões estipulado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

"A Petrobras respondeu por praticamente quase todo o valor do bônus na OPC (Oferta Permanente de Concessão)", afirmou o diretor da ANP, Pietro Mendes. "São R$ 3,5 bilhões de receita não prevista no orçamento da União."

O investimento da estatal ficou mais centrado nas áreas do pós-sal
O investimento da estatal ficou mais centrado nas áreas do pós-sal
Foto: Marcos de Paula/Estadão / Estadão

Mais do que a disputa por novas fronteiras, os leilões mostraram uma estratégia cada vez mais voltada para áreas próximas de operações já existentes. A lógica é aproveitar infraestrutura e ativos em produção para reduzir custos e acelerar o desenvolvimento.

"Hoje, como a gente não tem mais aqueles grandes campos, as pessoas que estão próximas, que já têm um FPSO (plataforma) funcionando, como aconteceu por exemplo com a Prio, que comprou as duas áreas que estão do lado de ativos dela, porque ela sabe que aquilo tem um potencial", disse o presidente da Pré-Sal Petróleo (PPSA), Luís Fernando Paroli.

O investimento da estatal ficou mais centrado nas áreas do pós-sal, sendo 12 na Bacia de Campos e sete na Bacia do Ceará, uma das cinco bacias da Margem Equatorial brasileira.

"A Petrobras está investindo no exterior e com os blocos dessa oferta conseguimos atrair a empresa para investir aqui", avaliou Mendes. "Se tivéssemos colocado blocos da Margem Equatorial teríamos atraído outras 'majors', mas o resultado desse leilão foi excelente para a segurança energética", afirmou.

A Prio também ampliou sua presença no pré-sal ao conquistar os blocos Magnetita e Hematita, na Partilha da Produção. A Equinor ficou sozinha com Rubi e, em parceria com a Galp, levou Rodocrosita. Para o Itaú BBA, o resultado é positivo para a Prio, ao ampliar seu portfólio na região e abrir novas oportunidades para reposição de reservas. O banco destaca que os ativos ficam próximos aos campos de Wahoo e Frade, o que pode gerar sinergias de desenvolvimento com a infraestrutura já existente.

De acordo com a vice-presidente de Gestão de Ativos da Equinor, Letícia Andrade, a aquisição do bloco Rodocrosita busca aproveitar a proximidade com outro ativo da companhia. "O (bloco) Rodocrosita fica na Bacia de Santos, e é próximo ao campo de Bacalhau, onde a gente já produz. Então, é uma área que a gente já conhece e está conhecendo cada vez mais, conforme a produção do campo vai avançando. E aí, existe sempre uma possibilidade de potencial sinergia entre Rodocrosita e Bacalhau", disse a executiva após o leilão.

Além da Petrobras, a petroleira independente Aguila Energia foi destaque na rodada de concessão. Com sete ativos terrestres no Rio Grande do Norte, Sergipe e Bahia, a empresa arrematou 12 blocos e desembolsou R$ 2,09 milhões.

Este pode ser o último leilão realizado pela ANP no Rio de Janeiro, local dos certames desde 1999. Um acordo da agência feito com a B3, em abril deste ano, deve levar os leilões de áreas de petróleo e gás natural da União para São Paulo, a partir do ano que vem.

Estadão
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