Petrobras assume operação de oito blocos na Costa do Marfim e amplia presença na África
Segundo Magda Chambriard, presidente da estatal, iniciativa aumenta o portfólio e a área de exploração sob comando da companhia, que também avalia potencial de negócios em Gana
A Petrobras ampliou sua presença na África ao assumir a operação de oito blocos marítimos na Costa do Marfim, detendo 90% de participação, em parceria com a estatal Petroci (10%). A iniciativa visa recompor as reservas de óleo e gás da companhia em novas fronteiras na margem equatorial africana. De acordo com a presidente Magda Chambriard, a expansão do portfólio externo está alinhada ao plano estratégico da empresa, mantendo o foco rigoroso na disciplina de capital.
A Petrobras informou nesta quinta-feira, 17, que sua subsidiária integral, Petrobras Netherlands B.V. (PNBV), assinou Contratos de Partilha de Produção (PSCs, na sigla em inglês) para oito blocos exploratórios offshore na República da Costa do Marfim.
Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia detalha que os contratos foram firmados com a República da Costa do Marfim e com a Petroci Holding. Os PSCs abrangem os blocos CI-513, CI-600, CI-601, CI-602, CI-603, CI-605, CI-701 e CI-702.
A Petrobras afirmou que, por meio da PNBV, terá participação de 90% nos blocos, como operadora. A estatal local, Petroci Holding, ficará com os 10% restantes.
"Os contratos celebrados asseguram à Petrobras participação em áreas exploratórias de elevado potencial na margem equatorial africana", destaca a estatal.
A Petrobras acrescentou que a iniciativa está alinhada à estratégia de recomposição das reservas de óleo e gás por meio da exploração de novas fronteiras, no Brasil e no exterior, conforme previsto no Plano de Negócios. A companhia também informou que a avaliação de novas oportunidades busca diversificar o portfólio exploratório, com foco na geração de valor e na sustentabilidade de longo prazo dos negócios.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse na quarta-feira, 16, que a companhia iria oficializar a expansão de seu portfólio na costa da África. Ao participar de evento no Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro, que abordou a importância da estatal para o Brasil, ela também ressaltou que, mesmo com o barril de petróleo acima de US$ 100, o foco em disciplina de capital para a alocação de investimentos está mantido.
"A diretora Sylvia (Anjos) está indo para a Costa do Marfim. Nós vamos assinar contrato de oito blocos em águas profundas na Costa do Marfim. Uma contribuição boa para aumentar o portfólio e a área de exploração sob comando da Petrobras", disse. "Compramos blocos da Namíbia. Ainda acho pouco, acho que dá para ampliar", complementou.
A estatal já mantém operações na Namíbia e em São Tomé e Príncipe. Em recente entrevista ao Estadão/Broadcast, a executiva também citou interesse na avaliação do potencial petrolífero em Gana como mais um passo na busca de reservas pela Petrobras.
A executiva também falou sobre a descoberta de petróleo na Margem Equatorial. "Acredito que aquela área é bastante promissora. Pelo menos, todos os esforços que nós fizemos até agora confirmaram todo esse potencial, e nós vamos seguir explorando a Margem Equatorial."
Ao comentar o cenário geopolítico, Magda disse que o investimento no parque de refino e o aumento da produção de diesel têm assegurado o abastecimento do mercado diante da volatilidade do preço do petróleo, fator de pressão sobre os combustíveis. Por outro lado, a alta da commodity abre espaço para, em suas palavras, "se aspirar à gastança". Magda ressaltou, no entanto, que a estatal segue focada em disciplina de capital.
"Vivemos um período de petróleo alto, com projetos atrativos, mas cuja maturação leva dez anos. Ninguém sabe qual será o preço daqui a dez anos. Previsões estão indicando que o petróleo vai voltar para US$ 59, não sabemos quando. Não podemos fazer isso (gastança) sob pena de prejudicar essa empresa, que é a nossa casa."/Com Gabriela da Cunha
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