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Contra inflação, Equador e Panamá abrem mão de moeda própria

25 abr 2013
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Mesmo que oficialmente Equador e Panamá ainda tenham moedas próprias (sucre e balboa panamenha), ambas as economias fazem uso e são balizadas pelo dólar norte-americano. Os motivos que levaram os países a optar pelo uso do dinheiro estrangeiro em vez da moeda nacional são diferentes. O Equador devido à crise, inflação e desvalorização do sucre na década de 1990; já o Panamá pela ampla movimentação de moeda estrangeira em sua economia. Mas o objetivo é o mesmo: conter pressões inflacionárias.

Medida busca conter inflação
Medida busca conter inflação
Foto: Getty Images

A não emissão de dinheiro próprio torna difícil um descontrole de preços, estabilizados pelo dólar. A inflação em 2011 foi de 4,5% no Equador e de 5,9% no Panamá, de acordo com dados do Banco Mundial. Em 2010, os números foram ainda mais baixos: 3,6% e 3,5%, respectivamente. No período, o Brasil registrou inflação de preços de 6,6% (2011) e 5% (2010); e os Estados Unidos, de 3,2% (2011) e 1,6% (2010).

Para o economista Luiz Carlos Prado, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), abrir mão do controle da política monetária do país pode até ajudar a conter a inflação, mas traz consigo outros problemas: “Em uma situação que o governo precise resgatar dinheiro em curto prazo - um desastre natural, por exemplo -, ele vai ter que recorrer às reservas em moeda estrangeira, já que depende de uma moeda que não faz”. Com uma unidade monetária própria, conta Prado, mesmo que a medida provoque uma alta inflacionária, o país poderia emitir notas e ter o dinheiro necessário em curto prazo. Outro ponto desfavorável para quem se desfaz do controle monetário é a dependência que se cria em relação à moeda utilizada, nesse caso o dólar. “Os Estados Unidos não vão pensar nos outros quando fizerem suas políticas financeiras”, adverte Prado.

Outras nações menores também adotam o dólar como moeda principal: El Salvador, Timor Leste, Porto Rico - que é território norte-americano -, Ilhas Virgens Britânicas, Micronésia, Turcas e Caicos e Zimbábue. Prado aponta que são economias pequenas e pouco expressivas e salienta o caso de El Salvador, que recebe grandes remessas de dinheiro do exterior: “Dizem que existem mais salvadorenhos nos Estados Unidos que em El Salvador”, brinca.

Segundo o economista da UFRJ, a recente crise financeira, da qual os EUA foram protagonistas, não afetou diretamente as economias que utilizam o dólar norte-americano. Isso devido ao fato de elas estarem baseadas em produtos que mantiveram as demandas altas durante o período de recessão. “O Panamá depende muito de serviços; já o Equador é um grande exportador de petróleo”, explica Prado.

Em sua análise, dificilmente essas nações voltarão a priorizar as moedas locais, deixando de lado o dólar norte-americano. “Somente uma forte crise poderia fazer com que isso acontecesse. O Equador, em especial, por ter um governo bolivariano, desvinculado dos Estados Unidos, poderia voltar ao sucre caso passasse por dificuldades financeiras mais severas”. Mas, ressalta Prado, a mudança não está no horizonte de nenhum dos países.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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