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Operações Empresariais

Açaí tem futuro promissor, mas preço alto trava exportação

20 set 2013 - 07h37
(atualizado às 07h37)
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A trágica morte do seringueiro Chico Mendes, em 1988, chamou a atenção de todos para a biodiversidade da floresta amazônica, e uma variedade imensa de frutas exóticas foi descoberta pelos estrangeiros na região. A década de 1990 impulsionou as exportações do guaraná e apresentou ao Brasil o açaí. Se hoje o guaraná já encontra um mercado importante - ainda que relativamente reduzido - no exterior, o açaí ainda engatinha, mas vê um crescimento para o futuro.

Somente o Pará, de longe o maior produtor de açaí no mundo, exportou 6 mil toneladas em 2012, o equivalente a R$ 17,3 milhões. O estado responde por algo entre 80% e 90% da produção nacional da fruta, seguido por Amazonas e Maranhão, de acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, fornecido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice de exportações provindas do Pará é ainda maior, visto que estados próximos, como o Amapá, não tem estrutura suficiente para exportar e enviam através do vizinho.

Mesmo assim, os dados de 2012 são inferiores aos de 2011 e devem seguir estáveis neste ano. Contribuiu para a queda a crise econômica europeia, já que os Países Baixos, segundo maior comprador do produto dois anos atrás, reduziram bastante a importação. À frente na lista de compradores estão os Estados Unidos, destino de 79% das exportações. O número vem crescendo, assim como a quantidade de açaí destinada ao Japão, que mais do que dobrou em um ano e chegou a 14% em 2012, colocando o país na vice-liderança na lista. Os destinos, entretanto, são variados: a empresa Frooty Açaí, por exemplo, também negocia com Portugal, Espanha, Austrália, Rússia, República Tcheca e Israel, e pretende chegar em breve ao crescente mercado asiático.

As exportações ainda correspondem a uma pequena parcela da produção de açaí no Brasil. Estima-se que apenas 10% da produção paraense seja destinada a outros países, sendo 60% consumida no próprio estado e 30% vendida para o resto do país. Do faturamento da Frooty Açaí, apenas 2% vem da exportação, mas a expectativa é de que até 2015 esse índice chegue a um décimo. As exportações da empresa aumentaram de R$ 700 mil em 2012 para uma previsão de R$ 1,2 milhão neste ano, afirma Marcelo Cesana, diretor da Frooty.

Alta na procura

Para Herve Rogez, professor da Universidade Federal do Pará, o preço é o principal entrave para a exportação da fruta. No ano passado, o valor do suco de açaí superou o de outras polpas também conhecidas pelo efeito antioxidante, como o mirtilo e a amora. Rogez acredita que há a possibilidade de expansão das operações, mas o preço ainda não é competitivo. A procura nos últimos anos aumentou rapidamente, de maneira superior à oferta. De 2002 a 2010 o montante movimentado pelas exportações paraenses da polpa aumentou 30 vezes, enquanto o volume exportado cresceu 14 vezes. Uma rasa (aproximadamente 14kg) de açaí em 1994 custava entre R$ 1 e R$ 2, afirma Rogez. Hoje, em plena safra, o preço está em torno de R$ 20, valor que ultrapassa em muito a inflação. O litro do açaí grosso cresceu 1600% em menos de 20 anos, afirma o pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, Alfredo Homma. O que era “comida de gente pobre” virou chique. 

Homma diz que o investimento em tecnologia permitiu que se produza a fruta durante todo o ano, e não só no segundo semestre, período de safra. Mesmo assim, as exportações esbarram na falta de tecnologia. A colheita da fruta é basicamente feita pelos ribeirinhos, que precisam subir na palmeira. O uso de uma colhedeira desenvolvidas pelos japoneses residentes no País - que exportam açaí daqui para o Japão - busca suprir a limitação de mão de obra e agilizar o processo, colhendo até três vezes mais rápido. Entretanto, as exportações só devem ser intensificadas quando for viabilizado o açaí em pó, afirma Homma. Atualmente o produto é vendido em polpa, o que exige um cuidado grande para mantê-lo sempre congelado. 

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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