Ocyan mira novos contratos com Petrobras ao avançar para nova fase após reestruturação
A empresa brasileira de serviços do setor de petróleo Ocyan planeja disputar novos contratos com a Petrobras neste ano, incluindo projetos de construção dos navios-plataformas Albacora e Búzios 12, disse o presidente da companhia, Rodrigo Lemos.
A empresa, que está na fase final de uma reestruturação operacional e financeira, após ter reduzido em mais de 80% sua alavancagem, também aposta no crescimento do mercado de descomissionamento submarino e de plataformas no Brasil.
"Vemos hoje a companhia preparada para uma nova fase de crescimento", afirmou Lemos, em entrevista à Reuters, em seu escritório na zona portuária do Rio de Janeiro, na quarta-feira.
De acordo com o executivo, as propostas para Albacora devem ser entregues em julho, enquanto Búzios 12 tem prazo previsto para setembro.
Ele disse que a Ocyan pretende disputar os projetos em parceria, dada a dimensão dos investimentos, mas não revelou os nomes dos sócios.
"As parcerias já estão muito bem alinhadas", adiantou.
Lemos afirmou que a companhia agora pode perseguir objetivos "mais audaciosos", mas com disciplina de capital. "Queremos ganhar contratos que sejam saudáveis, que gerem valor."
Segundo o executivo, a empresa -- antes chamada Odebrecht Óleo e Gás -- passou os últimos dois anos focada em ajustes internos, após ter sido comprada da Novonor por um fundo gerido por EIG e Lake Capital.
A reestruturação incluiu reorganização do organograma, simplificação de processos e reforço da estrutura de capital, devendo ser finalizada em meados do ano com ajustes em processos internos e na área de tecnologia da informação.
A Ocyan realizou dois movimentos relevantes para reduzir o endividamento: a venda do FPSO Cidade de Itajaí e o refinanciamento do FPSO Pioneiro de Libra. Parte dos recursos foi usada para amortizar dívidas.
Segundo Lemos, a alavancagem da companhia caiu para cerca de 1 vez dívida líquida/Ebitda ao fim de 2025, de aproximadamente 6 vezes antes dos movimentos de desalavancagem, e a empresa voltou a pagar dividendos, com nova distribuição prevista para 2026.
Com a maior parte da reorganização concluída, a Ocyan se sente bem posicionada para participar de grandes concorrências da Petrobras, contando inclusive com uma melhora na relação com o mercado financeiro, ao retomar o relacionamento com grandes bancos, segundo o presidente.
DESCOMISSIONAMENTO
Além da operação de FPSOs, a Ocyan está de olho no crescimento do mercado de descomissionamento submarino e de plataformas. Neste ano, a empresa se prepara para participar da licitação para o desmantelamento da plataforma P-37, da Petrobras.
A Ocyan assinou ainda um memorando com a estatal para estudar soluções integradas de descomissionamento submarino.
A companhia também busca diversificar sua base de clientes na área de serviços offshore e ampliar a oferta de soluções de maior valor agregado, à medida que vê mais oportunidades em ativos maduros operados por petroleiras independentes.
O executivo pontuou que, no ano passado, a Ocyan já participou "ativamente" de concorrências para descomissionamentos da Petrobras e também da licitação para a construção de navios-plataformas para o projeto da Petrobras Sergipe Águas Profundas (SEAP), cuja disputa foi vencida pela SBM.
"Ficamos em segundo colocado, muito próximos da SBM. Obviamente que a gente queria ganhar, mas o fato da gente ter conseguido colocar a proposta e ficar muito próximo..., mostra que estamos no caminho certo", disse ele.
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