O que é o FGC, que teve vazamento de dados sigilosos dos clientes
Mecanismo privado assegura até R$ 250 mil por CPF em aplicações como poupança e CDB caso instituição financeira sofra liquidação
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou o vazamento de dados sigilosos de clientes e adotou medidas de segurança; recomenda atenção dos usuários para evitar fraudes e orienta acessar informações apenas por canais oficiais.
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou nesta quinta-feira, 5, que um recém-vazamento de sua base expôs dados sigilosos de clientes, como nome, CPF, e-mail, data de nascimento e informações sobre pagamento da garantia.
Em nota, o FGC afirmou que o incidente foi identificado no dia 26 de outubro e que, desde então, foram adotadas restrições de acesso aos ambientes envolvidos, bloqueio de contas indevidas, preservação de
evidências e revisão das permissões e dos controles de segurança.
"A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) foi devidamente comunicada, em conformidade com
a legislação vigente. A apuração continua com apoio de especialistas, e as informações complementares
pertinentes serão encaminhadas à Agência conforme o avanço das investigações", diz a nota do FGC. Ao fim desta reportagem, veja as recomendações para se proteger de golpes e mau uso dos dados vazados.
O que é o FGC
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) funciona como uma proteção financeira privada para investidores e correntistas em caso de intervenção ou liquidação bancária. A entidade assegura a recuperação de valores aplicados até o teto de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada conglomerado financeiro.
A estrutura opera sem nenhum vínculo com o poder público e tem custeio mantido exclusivamente pelas próprias instituições financeiras associadas em atividade no Brasil.
Para o conjunto de todos os bancos cobertos, o regulamento impõe um limite global de ressarcimento de R$ 1 milhão por titular, renovado a cada período de quatro anos.
O montante financeiro que ultrapassar o teto estipulado pela garantia não é pago diretamente pelo fundo e passa a figurar no processo da massa liquidada conduzido pelo interventor responsável.
Em termos de liquidez institucional, o patrimônio acumulado pela entidade atingiu R$ 160 bilhões, contando com R$ 121,1 bilhões em caixa para honrar compromissos com credores.
O ressarcimento cobre a caderneta de poupança, o Certificado de Depósito Bancário (CDB) e as Letras de Câmbio (LC). A lista de papéis protegidos abrange ainda as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA).
A recuperação dos valores requer cadastro e pedido no aplicativo móvel oficial do FGC para celulares com sistemas Android ou iOS. Antes dessa fase, a empresa liquidante designada pelo Banco Central do Brasil utiliza um prazo de cerca de 30 dias para consolidar e remeter a relação de credores.
Como proteger os dados vazados
O vazamento da base de dados do FGC coloca em riso os clientes envolvidos, que ficam vulneráveis a possíveis contatos fraudulentos, tentativas de uso indevido de identidade ou golpes. Em nota, o FGC disse que recomenda "atenção redobrada a mensagens, ligações e e-mails que mencionem informações pessoais ou relacionadas ao pagamento da garantia, especialmente quando realizadas por pessoas que se apresentem como representantes do FGC ou de outras instituições".
Segundo o FGC, são necessários os seguintes cuidados:
- Desconfie de contatos que solicitem pagamentos, senhas, códigos de autenticação ou
- instalação de aplicativos, mesmo quando mencionarem informações corretas sobre você;
- Não clique em links em mensagens suspeitas. Para acessar informações do processo de
- pagamento, use diretamente o aplicativo do FGC;
- Confirme informações relacionadas ao processo de pagamento de garantia pelos canais oficiais
- do FGC;
- Preserve as mensagens suspeitas e registre ocorrência perante as autoridades competentes se
- identificar tentativa de fraude. Neste caso, avise imediatamente o FGC.
"Após a identificação do incidente, restringimos os acessos aos ambientes envolvidos, desabilitamos contas indevidas, reforçamos o monitoramento e preservamos evidências para a investigação. A revisão de permissões e a validação dos controles de segurança permanecem em andamento", afirma o FGC em nota.
"O tema está sendo tratado com a máxima prioridade, tendo como principal preocupação o apoio aos titulares de dados afetados e a revisão contínua dos mecanismos de proteção de dados e de segurança da informação. Atualizações e orientações sobre o incidente serão disponibilizadas na página dedicada ao tema."
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