'O combustível sustentável de aviação é a aposta para descarbonizar setor aéreo', diz CEO da Marco-X
Diretora da Vibra Energia pondera que a transição para uma matriz limpa esbarra na necessidade de estruturar uma cadeia que garanta previsibilidade e suporte financeiro
RIO - Tratado como a principal aposta para descarbonizar o setor aéreo, o combustível sustentável de aviação, conhecido como SAF, enfrenta desafios e gargalos de viabilidade econômica, escala de produção e logística de distribuição. É o que debateram especialistas em aviação no painel "Aviação sustentável: Inovação, combustíveis e novas rotas", no Energy Summit, nesta quinta-feira, 25, no Rio de Janeiro.
"O relatório do Air Point, de fevereiro deste ano, já trouxe que o SAF, que é combustível sustentável de aviação, é a principal aposta para a descarbonização da aviação. Porém, é, as projeções mostram uma participação cada vez maior também de outras tecnologias", disse Marco Cesarino, ex-executivo da Embraer e CEO da Marco-X.
Embora o combustível sustentável já seja uma realidade tecnológica, a transição para uma matriz limpa esbarra na necessidade de estruturar uma cadeia que garanta previsibilidade e suporte financeiro para todos os envolvidos, de acordo com Camila Mota, diretora de planejamento e pricing B2B na Vibra Energia.
"Vejo como um desafio muito grande a questão da viabilidade econômica. Acredito que a gente tem diversos desafios. Tem a parte tecnológica, que é do produto em si, mas o SAF hoje já é uma realidade. A gente precisa de produção em escala, de uma infraestrutura adequada, de uma logística adequada e que o mercado consiga absorver esse diferencial de preço e como isso vai ser feito através de incentivos", diz Camila.
O desafio de 'inventar fontes muito mais eficientes'
Para além da viabilidade financeira, a escala de produção surge como um dos fatores críticos, uma vez que as fontes agrícolas tradicionais podem não ser suficientes para suprir a futura demanda global. Cyro Calixto, CEO e fundador da Haka Bioprocessos, alerta para a limitação das matérias-primas atuais e a necessidade de buscar alternativas mais eficientes.
"Realmente um dos grandes desafios é a escala de produção, porque, se a gente for pegar toda a produção de soja do Brasil, que não é pouca, a gente não consegue atender a uma demanda mínima para o que se está demandando. Então precisamos buscar fontes alternativas. Inventar fontes muito mais eficientes", diz.
Daniel Sales Corrêa, gerente executivo de comercialização no mercado interno da Petrobras, reforça a importância de manter o rigor operacional durante essa fase de mudanças: "Quando a gente pensa nessas transformações, os nossos paradigmas, sejam eles bons ou ruins, eles são ou precisam ser preservados para viabilizar a produção sem comprometer a segurança".
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