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Não nos limitaremos a eterno papel de exportador de commodities, diz Lula sobre acordo Mercosul-UE

Presidente se reuniu nesta sexta, véspera da assinatura do acordo, com a presidente da Comissão Europeia

16 jan 2026 - 15h06
(atualizado às 16h47)
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RIO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 16, que a conclusão das negociações do acordo Mercosul-União Europeia foi uma das prioridades de seu terceiro mandato. Após encontro bilateral com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente celebrou o acordo, que será assinado neste sábado, 17, e afirmou que o Brasil não se limitará ao eterno papel de exportadores de comodities.

"Não nos limitaremos ao eterno papel de exportadores de commodities. Queremos produzir e vender bens industriais de maior valor agregado. O acordo prevê dispositivos que incentivam empresas europeias a ampliarem seus investimentos", disse Lula em seu pronunciamento.

Lula se encontrou hoje com Ursula von der Leyen, no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, antes da assinatura do acordo, que ocorre neste sábado, 17, no Paraguai.

O acordo prevê a criação da maior zona de livre comércio do planeta, com mais de 700 milhões de consumidores, além da eliminação de tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os dois blocos. O presidente brasileiro ressaltou que mais comércio e mais investimentos significam "novos empregos e oportunidades dos dois lados do Atlântico".

"Já somos grandes provedores de produtos agropecuários para a União Europeia. Nossa parceria vai contemplar cadeias de valor estratégicas para a transição energética e transição digital", declarou o petista.

Ele afirmou que o acordo vai além da dimensão econômica. "A União Europeia e o Mercosul compartilham valores como o respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos. Mais diálogo político e mais cooperação vão garantir padrões elevados de respeito aos direitos trabalhistas e a defesa do meio ambiente", disse.

"A União Europeia e o Mercosul compartilham valores como o respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos. O Acordo que vai ser assinado amanhã em Assunção, no Paraguai, é bom para o Brasil, é bom para o Mercosul, é bom para a Europa. E é bom, e muito bom, sobretudo para o mundo democrático e para multilateralismo", declarou.

Lula não deve viajar a Assunção para a assinatura do acordo, que contará com a representação do Brasil pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

A expectativa do Planalto é que o acordo, negociado desde 1999 com Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, membros fundadores do bloco sul-americano, seja ratificado no primeiro semestre.

O presidente brasileiro ainda acrescentou que em seu atual governo, foram concluídos três importantes acordos comerciais para o Mercosul: com a União Europeia, com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e com Cingapura.

"Continuaremos trabalhando para abrir mais mercados e para construir novas parcerias no mundo todo, em particular com Canadá, México, Vietnã, Japão e China", afirmou.

Estadão
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