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Postos relatam aumento de preços de combustíveis por distribuidoras, diz Fecombustíveis

5 mar 2026 - 21h45
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A Fecombustíveis, que reúne sindicatos patronais que representam ‌cerca de 45 mil postos de combustíveis no país, afirmou nesta quinta-feira ter recebido relatos de que distribuidoras estão elevando os preços, por impacto da alta do petróleo no mercado internacional devido ao conflito no Golfo Pérsico.

De acordo com a entidade, o mercado é livre e cabe a cada posto determinar se irá ou não repassar eventuais aumentos de custos, conforme a lógica da livre concorrência e das ⁠estratégias competitivas de cada empresa.

O reajuste relatado ocorre apesar de a Petrobras, que responde por cerca de ‌70% do abastecimento no Brasil, não ter alterado seus preços.

Mas o mercado também é abastecido por combustível importado e algumas refinarias privadas, que estão reagindo à disparada do petróleo, acrescentou a Fecombustíveis.

"Por isso, ‌os preços nacionais são afetados pelos preços praticados no mercado externo", ‌afirmou a entidade.

"Os postos revendedores, por sua vez, representam apenas o último e mais frágil ⁠elo da cadeia de comercialização e estão sujeitos ao aumento do custo para a compra dos combustíveis junto às distribuidoras, com possíveis reflexos nos preços ao consumidor", acrescentou.

Além do produto importado pelas distribuidoras ou importadores, refinarias privadas como Mataripe (Bahia), Clara Camarão (Rio Grande do Norte) e a do Amazonas geralmente seguem os preços do mercado internacional, disse a Fecombustíveis.

Os preços do petróleo saltaram desde o início dos ataques dos ‌Estados Unidos e Israel contra o Irã, com o conflito resultando em riscos de navegação para petroleiros no ‌Estreito de Ormuz, por onde circulam ⁠20% do petróleo global, ⁠e pela redução na produção em países como Iraque e Catar.

Nesta quinta-feira o petróleo Brent subiu US$4,01, ou 4,93%, ⁠a US$85,41 por barril, em uma quinta sessão de ‌ganhos. O petróleo West Texas Intermediate ‌dos Estados Unidos subiu US$6,35, ou 8,51%, a US$81,01, seu maior valor desde julho de 2024.

A Petrobras está avaliando o mercado, já que evita repassar a volatilidade global do petróleo aos preços locais de combustíveis, afirmou a presidente da petroleira, Magda Chambriard, à Reuters, no início da ⁠semana.

Mas, com a alta do preço do petróleo e derivados no mercado internacional, até a manhã desta quinta-feira o desconto do diesel da Petrobras em relação ao produto importado havia atingido cerca de 30%, a maior defasagem desde 2022, apontou o Goldman Sachs em nota aos clientes.

O presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araujo, afirmou à Reuters ‌nesta quinta-feira que entende a decisão da Petrobras de esperar uma acomodação do mercado antes da realização de reajustes, mas pontuou que já está na hora de elevar os preços internos, citando ⁠riscos de a conjuntura desestimular compras pelos importadores, que abastecem parte do mercado.

Procurada, a distribuidora Ipiranga -- uma das três maiores do país, juntamente com Vibra e Raízen -- afirmou que a empresa acompanha continuamente as condições de mercado e pode realizar ajustes comerciais, sempre em conformidade com a legislação vigente e alinhada às práticas do setor.

A empresa disse ainda que "o preço final nos postos é definido pelos revendedores, uma vez que o mercado brasileiro opera sob o princípio da livre concorrência, conforme estabelece a legislação".

As outras duas principais distribuidoras não se manifestaram, enquanto o IBP, que representa todas elas, afirmou que a formação de preços dos combustíveis na cadeia de distribuição nacional é livre, seguindo a dinâmica de oferta e demanda.

Já a Fecombustíveis ressaltou a importância de "esclarecer os fatos", para que os postos revendedores não sejam "injustamente responsabilizados" pela opinião pública em razão do aumento dos custos de operação causados por majorações de preço ocorridas em etapas anteriores da cadeia.

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