'Não há por que falar em injeção de recursos na Braskem', diz presidente da Petrobras
Magda Chambriard afirma que ampliar participação na Braskem não está nos planos da petroleira; executiva também falou sobre compra de diesel e produção de petróleo
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, descartou novos aportes na Braskem para evitar sua estatização, ressaltando o foco na gestão operacional da petroquímica. Ela garantiu o suprimento de diesel para outubro via importações e aumento do refino interno, minimizando riscos externos. Além disso, celebrou a proximidade da meta de 3 milhões de barris diários de petróleo, impulsionada pela otimização de plataformas FPSO, e defendeu a manutenção contínua das atividades exploratórias da estatal.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reafirmou que a intenção da empresa não é estatizar a Braskem e, por isso, não seria possível um aporte de recursos que coloque essa questão em risco. A estatal tem 47,03% do capital votante da petroquímica, cujo Conselho de Administração se reúne nesta sexta-feira, 25.
"Ampliar nossa participação não está no nosso horizonte e, portanto, não há por que falar em Petrobras aportar recursos sem falar em parceiros em geral, acionistas em geral, aportando recursos", afirmou.
Segundo ela, a Petrobras trabalha na gestão da operação da Braskem e o IG4 na gestão mais corporativa e financeira da empresa. "Essa é a forma que nós estruturamos, e acredito que já está dando resultado", disse a executiva, após palestra na ROG.e 2026.
Temos carga de diesel comprada para outubro
Após a realização do evento, Magda também disse que a Petrobras já tem carga contratada de diesel para outubro e está ampliando a produção interna do combustível de duas maneiras. "Ampliando capacidade de refinaria e também alterando o processo para fazer mais combustíveis nobres, e o diesel é o primeiro deles", disse ela.
A presidente da Petrobras explicou que a estatal compra diesel de outros mercados, como, por exemplo, da Índia, e que tem "uma conversa interessante" com os refinadores da Índia. Magda avaliou ainda que talvez em novembro não haja necessidade de importar diesel, e que a Casa Branca já teria negado a ameaça de Trump.
"A Casa Branca hoje já desmentiu isso", afirmou a executiva, destacando que não acredita que as exportações norte-americanas de diesel serão suspensas. "A única coisa que a gente sabe é que, em tempos conturbados, como o que nós estamos vivendo, tudo o que a gente fizer em prol da segurança energética do País é válido", acrescentou.
'Estamos perto de alcançar 3 milhões de barris por dia'
Magda Chambriard destacou ainda que a companhia está muito perto de alcançar a marca de 3 milhões de barris de petróleo por dia na produção pro rata, isto é, considerando a participação da empresa nos projetos realizados com petroleiras parceiras. Segundo ela, a trajetória de produção é ascendente e vem sendo impulsionada, entre outros fatores, pela otimização de plataformas do tipo FPSO (unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência).
"A gente já chegou a produzir, na pro rata Petrobras, 2,92 milhões de barris por dia. Estamos no caminho e muito perto", disse durante o evento de energia organizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).
"Dentro do time da Petrobras, conseguimos, com plataformas existentes, ampliar a capacidade de produção em 260 mil barris por dia. Ou seja, uma vez e meia uma plataforma de 180 mil barris, que demora quatro anos para ser fabricada", exemplificou.
Magda acrescentou que, olhando para as próximas cinco plataformas em construção em Singapura, a companhia quer repetir esse ganho. Segundo ela, apenas com o aumento de capacidade das FPSOs, o acréscimo pode chegar a 520 mil barris por dia e representar uma economia de capex entre US$ 10 bilhões e US$ 12 bilhões.
A executiva também destacou que, ao elevar a produção sem a necessidade de uma nova unidade, a Petrobras evita a espera de quatro anos, típica do ciclo de contratação e entrega de plataformas, e, assim, antecipa a geração de produção.
Magda afirmou ainda que, apesar do foco em eficiência e otimização, a companhia precisa manter o ritmo de exploração. "Não pode a Petrobras perfurar zero ou um poço pioneiro por ano; é pedir para morrer", declarou.
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