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"Não existe almoço grátis", diz Joaquim Levy no Facebook

Ministro da Fazenda disse em bate-papo com internautas que todo serviço público é bancado com dinheiro pago pelo contribuinte

9 jan 2015
14h30
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<p>Ministro da Fazenda, Joaquim Levy</p>
Ministro da Fazenda, Joaquim Levy
Foto: Joedson Alves / Reuters

Em iniciativa inédita do Ministério da Fazenda, o novo titular da pasta, Joaquim Levy, respondeu nesta sexta-feira a perguntas de usuários do Facebook e mandou um aviso: não há almoço grátis.

Ao fazer referência à frase popularizada pelo economista americano Milton Friedman ("There is no free lunch"), o ministro procurou deixar claro que todo serviço público gratuito na verdade é bancado com dinheiro pago pelo contribuinte e que esses recursos não são infinitos.

O comentário foi em resposta a Marconi Soldate, que questionou se Levy se considerava um "chicago boy", em referência a sua passagem pela Universidade de Chicago, onde Friedman lecionava.

"Essa frase é importante para quem está no governo. Tudo que o governo 'dá' é pago pelo contribuinte. Então, a gente tem que ter muito cuidado em como usa o dinheiro", disse Levy.

A conversa em tom informal no Facebook foi realizada no momento em que a Fazenda adota medidas impopulares como cortes de gastos em Educação e outras áreas e mudanças nas regras de pagamento de pensões.

Ao responder perguntas sobre contenção de despesas, aumento de tributos e inflação, Levy procurou convencer a população de que é preciso parcimônia com os recursos públicos.

Foram enviadas mais de 400 perguntas, muitas delas repetidas, numa clara ação coordenada de funcionários e concursados ainda não convocados do Banco Central e Receita Federal, que pressionaram pelo fortalecimento dos orgãos e a ampliação de seus quadros.

Bolsistas do Capes, por exemplo, disseram que os repasses estão atrasados e quiseram saber se isso já era reflexo dos cortes no orçamento.

Na cerca de uma hora que durou o "Face to Face", Levy ignorou esses questionamentos. "Parece que só respondeu as perguntas para as quais tinha respostas prontas", disse uma usuária que aguardava resposta sobre o Capes.

Entre as oito perguntas escolhidas, o ministro respondeu também a uma solidária com seus desafios. Reinaldo Demetrio Silva disse que "gostaria de saber o que o cidadão comum pode fazer para ajudar nesse momento de ajuste".

Levy respondeu que "cada cidadão ajuda o país trabalhando, fazendo tudo com o máximo de qualidade", pediu para que ele conversasse sobre isso com seus amigos e aproveitou para reforçar mais uma vez que o gasto público tem limite.

"Além disso é muito importante que a gente fortaleça a convicção de que o governo não pode gastar mais do que arrecada. Que se as despesas crescerem e a gente se endividar, ou ficar aumentando imposto, vai ser mais difícil a economia melhorar", destacou.

Jornalistas que cobrem o Ministério da Fazenda aproveitaram a oportunidade para questionar o ministro sobre o resultado da inflação de 2014, divulgado nesta manhã pelo IBGE. O IPCA ficou em 6,41%, bem próximo ao teto da meta, de 6,5%.

O ministro não atendeu aos jornalistas, mas respondeu Letícia Stéfane sobre o assunto. Ele alertou que a inflação deve subir no curto prazo, lembrando que alguns preços represados devem ser reajustados, numa referência indireta, por exemplo, ao custo da energia. Não perdeu a oportunidade, claro, de destacar mais uma vez que segurar os gastos do governo é importante para conter a inflação.

"Estamos consertando o telhado em dia de sol", brincou o ministro, ao dizer que os ajustes estão sendo feitos "bem antes de uma crise".

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