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Lula diz que candidato do PT ao governo do DF possui 'informações importantes' sobre BRB

Leandro Grass disputará segundo turno com a atual governadora, Celina Leão (PP)

6 out 2026 - 19h42
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Resumo
O presidente Lula afirmou que Leandro Grass (PT) revelará dados cruciais sobre a crise no BRB durante o segundo turno contra a governadora Celina Leão (PP), que quase venceu no primeiro turno. O banco distrital enfrenta um rombo bilionário de ao menos R$ 8,8 bilhões decorrente de fraudes com o Banco Master. Além do colapso financeiro da instituição, que carece de socorro federal, o futuro governo do DF precisará solucionar um déficit orçamentário de R$ 5,5 bilhões apontado pelos órgãos de controle.

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse na noite desta terça-feira, 6, que o candidato do PT ao governo do Distrito Federal, Leandro Grass, tem "informações importantes" sobre o Banco de Brasília (BRB) para trazer à tona no segundo turno da campanha pelo governo do DF.

Lula não mencionou que informações seriam essas e disse que o assunto será discutido "em outro momento".

"Chegou a hora da verdade para o Brasil saber das coisas e o companheiro Leandro Grass trazer informações importantes sobre o BRB, que vamos discutir em um outro momento", afirmou, em discurso no QG de sua campanha, no Lago Sul.

Celina Leão (PP), atual governadora do DF, teve 49,93% dos votos e Leandro Grass registrou 34,47%
Celina Leão (PP), atual governadora do DF, teve 49,93% dos votos e Leandro Grass registrou 34,47%
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil / Estadão

Celina Leão (PP), atual governadora do DF, teve 49,93% dos votos e Leandro Grass registrou 34,47%. Como mostrou o Estadão/Broadcast, faltaram apenas 168 votos para que Celina fosse eleita em primeiro turno.

A fala de Lula foi transmitida pelas redes sociais. Ao lado dele, estava o próprio Grass e também o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, e o senador eleito Rui Costa (PT-BA).

A eleição no Distrito Federal ocorre em meio à crise do BRB, controlado pelo governo distrital. A instituição sofreu um rombo bilionário após as fraudes praticadas com o Banco Master, que pertencia ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Celina havia prometido cobrir o prejuízo do Master no BRB até junho, o que não ocorreu. O governo do Distrito Federal pediu um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas não conseguiu o aval de bancos nem da União para finalizar a operação. A governadora entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar a União a dar garantia no financiamento, e o processo está nas mãos do ministro Luiz Fux.

O BRB não publicou o balanço financeiro de 2025, mas o prejuízo é calculado em ao menos R$ 8,8 bilhões. O rombo pode ser maior, a depender da auditoria feita nas carteiras do Master que foram parar no Banco de Brasília e do patrimônio final da instituição.

Conforme o Estadão mostrou, a falta de balanço esvaziou os planos dos principais candidatos para o BRB, que temem o fim do banco após as eleições, com uma privatização ou liquidação. Na semana anterior às eleições, Celina disse ao Estadão que, com o fim das eleições, o problema do BRB também acabaria e destacou o plano A era manter o banco público.

Além da crise do BRB, quem ganhar a eleição terá o desafio de reverter o rombo no orçamento do Distrito Federal. O Tribunal de Contas do Distrito Federal identificou um rombo de R$ 5,5 bilhões nas contas relativas a 2025.

No primeiro semestre, o governo do Distrito Federal registrou um superávit de R$ 1,7 bilhão, mas isso só foi possível com a arrecadação extraordinária após a venda de parcelas da dívida ativa do DF, a chamada securitização, que antecipou receitas para os cofres, e com uma contenção de gastos que podem se acumular no fim do ano ou serem transferidos para o ano que vem.

A campanha de Celina no primeiro turno foi marcada pelo discurso de que ela representaria um "novo governo", em uma tentativa de se descolar de Ibaneis, desgastado pela crise do Banco Master. Ibaneis foi o principal fiador político da compra do Master pelo BRB. O ex-presidente do banco Paulo Henrique Costa, braço direito do ex-governador, foi preso acusado de receber propina do banqueiro Daniel Vorcaro. Além da crise do BRB e do rombo no Orçamento,

Leandro Grass (PT), por sua vez, apostou em uma campanha apelando pelo voto útil e tentando buscar votos até a última hora, dizendo que só ele poderia chegar ao segundo turno contra Celina Leão. O principal desafio da campanha é enfrentar as resistências ao PT na capital do Brasil, pela influência do bolsonarismo e pelo histórico da gestão petista à frente do Executivo distrital.

Estadão
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