Lucro e receita da Cogna crescem no 1º tri; margem e captação recuam
O lucro líquido da Cogna somou R$141,4 milhões no primeiro trimestre, alta de 48,7% em relação ao mesmo período do ano passado, em resultado marcado por forte crescimento da receita, mas queda em margens na comparação ano a ano.
Em termos ajustados, o lucro aumentou 30%, para R$200,8 milhões, conforme os dados divulgados pelo grupo de educação nesta quarta-feira, no primeiro balanço sob o novo marco regulatório do setor. Os números ficaram abaixo de previsões de analistas.
A receita líquida cresceu 31,9%, para quase R$2,15 bilhões, enquanto os custos saltaram 74%, para R$617,4 milhões nos primeiros três meses do ano. A margem bruta caiu para 71,2%, de 78,2% um ano antes.
Após a conclusão do fechamento de capital da Vasta na Nasdaq no começo do ano, a companhia integrou as operações da empresa e da Saber sob uma única operação, chamada educação básica; e agora passa a reportar os seus resultados concentrados em duas unidades de negócio distintas: educação superior (antiga Kroton) e educação básica (anteriormente Vasta e Saber).
No primeiro trimestre, a educação superior teve alta de 10,9% na receita líquida, para R$1,2 bilhão, com alta em todas as modalidades - presencial, semipresencial e ensino a distância (EAD).
"Esse resultado é reflexo da mudança de mix na base de alunos, com aumento da base em cursos presenciais e semipresenciais, que possuem o ticket médio mais alto", afirmou a companhia. O tíquete médio total subiu 19,4%, com alta em todas as modalidades.
A provisão para créditos de liquidação duvidosa (PCLD) em relação à receita operacional líquida aumentou de 13,8% para 14,5%, com a empresa citando a mudança regulatória e o aumento do nível de competição.
"Ao invés de optar por uma redução no preço final do aluno, enxergamos como uma estratégia mais eficiente aumentar o seu nível de parcelamento, portanto, temos um efeito pontual na PCLD dado o maior provisionamento versus a mensalidade regular de um aluno pagante."
A captação de alunos na graduação caiu 14,2% no primeiro trimestre ano a ano, para 365,4 mil, afetada pela queda no EAD, de 32,2%. Os segmentos presencial e semipresencial mostraram acréscimos de 14,4% e de 4,6%, respectivamente.
"Os resultados do trimestre foram impactados por mudanças decorrentes do Novo Marco Regulatório, que alteraram a classificação de cursos e, consequentemente, as bases de captação e de alunos. Cursos de Pedagogia, Licenciaturas e Enfermagem passaram a ser enquadrados em categorias distintas em relação ao ano anterior. Adicionalmente, houve a descontinuação da oferta de Enfermagem semipresencial em 420 polos, o que também impactou a dinâmica de captação."
Desconsiderando os alunos do programa Prouni, ou seja, considerando apenas os calouros que geram receita, captação total encolheu 17,1% no trimestre ante 2025. A receita da safra de captação, porém, apresentou um crescimento de 3,7%.
De acordo com o presidente-executivo da Cogna, Roberto Valério Neto, a companhia já recebeu aprovação do Ministério da Educação para a oferta de cursos presenciais de Enfermagem em 53 de 120 polos submetidos ao órgão regulador para credenciamento.
"No segundo semestre, a companhia vai entrar no ciclo de captação com esses (cursos) e imagino que até lá já terá os 120 que eu não tinha no primeiro trimestre. Se tivesse, receita teria crescido mais que 3,7%", afirmou o executivo à Reuters.
ENSINO BÁSICO
Na educação básica, a receita líquida saltou 72,9%, para R$950,8 milhões, influenciada pelo deslocamento da receita de material didático do Novo Ensino Médio (PNLD) do final de 2025 para o início de 2026, contribuindo com R$307,7 milhões.
"O impacto positivo deste trimestre não apenas confirmou a recuperação do cronograma do PNLD, como também excedeu o teto das estimativas iniciais, refletindo o compromisso da companhia com a estratégia de crescimento no programa."
A empresa também destacou o crescimento de 15,5% nas receitas de subscrição, para R$462,1 milhões. No ciclo comercial do ACV (sigla para Valor Anual de Contrato) 2026, essa receita atingiu R$1,1 bilhão, de R$1 bilhão no ciclo de 2025.
Em termos consolidados, a Cogna teve um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recorrente de R$679,6 milhões, alta de 22,2% ano a ano, mas com queda na margem nessa métrica, para 31,7%, de 34,2% um ano antes.
O presidente-executivo da companhia citou que há um efeito em custos porque há mais carga de horário de professor, dado que há mais presencialidade. "As margens deveriam ser menores do que o ano anterior, porque tem mais carga horária, portanto, mais custo de professor", afirmou.
O executivo também destacou que a empresa decidiu gastar um pouco mais em marketing. "Historicamente, (a Cogna) gasta mais ou menos entre 10,5% e 11% da receita de educação superior em marketing... Para o ano, imaginamos gastar entre 11% e 11,5%."
No primeiro trimestre, as despesas com vendas e marketing responderam por 15,4% da receita, de 13,5% no mesmo período do ano passado. As despesas corporativas subiram para 3,9% da receita, de 2,7% um ano antes, pressionadas por gastos com a reorganização societária e a nova estrutura organizacional da companhia e deslocamento temporal de algumas despesas com tecnologia no ano passado, que afetaram a comparação no primeiro trimestre de 2026.
"Eu posso falar com tranquilidade: o Ebitda vai continuar crescendo nominalmente, mas a margem, sim, vai ficar mais pressionada", afirmou o executivo.
De acordo com a Cogna, no primeiro trimestre, houve geração de caixa operacional após investimentos (capex) de R$318,1 milhões, um aumento de 27,1% em comparação ao mesmo período de 2025. A geração de caixa livre somou R$252,5 milhões.
A dívida líquida caiu 1,1%, para R$2,78 bilhões, o que fez a companhia encerrar o trimestre com alavancagem de 1,13 vez, de 1,28 vez um ano antes.
(Edição Pedro Fonseca)
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