Irmãos Batista avançam no negócio de energia com aquisição de termoelétricas do grupo Bolognesi
Negócio envolve cinco usinas térmicas no Nordeste e no Centro-Oeste; com a aquisição, a Âmbar Energia, da J&F, passa de 7 GW, um volume capaz de abastecer cerca de 4 milhões de domicílios
Os irmãos Joesley e Wesley Batista não param de comprar ativos no setor elétrico. Donos da gigante de proteína animal JBS e de companhias do setor industrial, sob o guarda-chuva da holding familiar J&F Investimentos, os dois empresários, em pouco mais de uma década, já investiram bilhões de reais nesse negócio.
O veículo de atuação da J&F no setor é a Âmbar Energia, fundada em 2015, com foco em geração térmica, comercialização e transmissão de energia, mas que avançou para outros segmentos. Em 2024 e 2025, a companhia dos Batista fez vários movimentos de aquisição e ampliou suas operações, adquirindo termoelétricas e a distribuidora Amazonas Energia, iniciando operações naquele Estado.
Uma compra de peso foi a entrada em outubro de 2025 no capital da estatal de energia nuclear, a Eletronuclear, dona das usinas de Angra 1 e 2 e do projeto de Angra 3. O negócio com a antiga Eletrobras (atual Axia Energia) foi de R$ 535 milhões mais garantias de empréstimos e obrigações de integralização de debêntures, no valor de R$ 2,4 bilhões.
O negócio, segundo a Âmbar, envolveu 68% de participação no capital total da Eletronuclear, e 35,3% das ações com direito a voto. O controle da Eletronuclear se mantém com a estatal Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar).
Nesta segunda-feira, 11, o grupo confirmou mais um movimento do conglomerado: a aquisição de cinco termoelétricas (UTEs) da Bolognesi Energia, empresa nascida em Porto Alegre e hoje baseada em São Paulo.
Procurada, a J&F apenas confirmou o negócio, mas não revelou detalhes nem o valor da aquisição. Em nota, a Bolognesi Energia confirmou a venda de termoelétricas e que o negócio está sujeito às aprovações regulatórias de praxe.
As usinas adquiridas estão localizadas nas regiões Nordeste (4) e Centro-Oeste, com capacidade de geração de 766 megawatts (MW), das quais quatro movidas a óleo combustível e uma à biomassa.
As UTEs, geralmente usadas pelo sistema nacional de energia para complementar suprimento elétrico, ficam nos Estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Goiás. Todas têm contratos em vigor para fornecimento de energia até 2042 (três) e 2044 (duas).
Equivalência a uma Tucuruí
Em março, a Âmbar concluiu a aquisição da Usina Termelétrica Norte Fluminense e do projeto Norte Fluminense 2 (para 1.800 MW), do grupo francês EdF, em Macaé (RJ). Segundo comunicado da companhia, a Norte Fluminense "é uma das usinas mais eficientes do Brasil e opera em ciclo combinado a gás natural da Bacia de Campos". A termoelétrica tem três turbinas a gás e uma a vapor, somando 827 MW.
A Âmbar informou na época que, com a incorporação da UTE Norte Fluminense, a potência instalada da empresa ultrapassa 7 GW — um volume capaz de abastecer cerca de 4 milhões de domicílios — e se torna "uma das maiores geradoras privadas de energia do país em capacidade". Agora, com as termoelétricas da Bolognesi, a empresa de energia dos Batista adiciona quase 800 MW ao seu portfólio.
Em termos de comparação, a capacidade da Âmbar se aproxima do porte da hidrelétrica de Tucuruí (da Axia, com 8,5 GW) e da Auren Energia (Votorantim e fundo canadense CPP), com capacidade de 8,8 GW em fontes hídricas, eólicas e solares.
Com as novas termoelétricas no portfólio, a empresa passará a contar com 61 unidades de geração em mais de 15 Estados, incluindo hidrelétricas, usinas solares, à biomassa, a biogás, a gás natural, a óleo combustível e a carvão mineral, além da nuclear (ainda não concluída).
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.