IPCA-15 desacelera para 0,41% em junho, mas inflação segue acima da meta
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, avançou 0,41% em junho, desacelerando em relação à alta de 0,62% registrada em maio. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar da perda de força na comparação mensal, o acumulado em 12 meses voltou a acelerar. A inflação passou de 4,64% em maio para 4,80% em junho, permanecendo acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5%. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 3,45%.
O resultado de junho foi influenciado principalmente pelos grupos de alimentação e habitação, que juntos responderam por cerca de dois terços da variação do índice. Por outro lado, a queda dos combustíveis ajudou a conter uma pressão inflacionária ainda presente em diversos itens do orçamento das famílias.
O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação do Brasil. O indicador segue a mesma metodologia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado pelo Banco Central no acompanhamento da meta de inflação, mas é calculado com base em uma coleta de preços realizada antes do fechamento do mês.
Alimentos e energia lideram as pressões do IPCA-15 do mês
Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, Alimentação e bebidas registrou a maior alta em junho, com avanço de 0,74% e impacto de 0,16 ponto percentual no índice geral.
Embora o grupo tenha desacelerado em relação a maio, quando havia subido 1,38%, alguns produtos continuaram apresentando fortes aumentos. Foi o caso da batata-inglesa, que avançou 29,42%, do tomate, com alta de 17,27%, do feijão-carioca, que subiu 14,29%, e da cebola, com elevação de 9,54%.
O grupo Habitação apareceu na sequência, com alta de 0,72% e impacto de 0,11 ponto percentual. O principal destaque foi a energia elétrica residencial, que subiu 2,04% e exerceu a maior pressão individual sobre o IPCA-15 do mês.
Segundo o IBGE, o avanço da conta de luz reflete tanto a vigência da bandeira tarifária amarela quanto reajustes aplicados por distribuidoras de energia em algumas capitais do país.
Também contribuíram para a alta do grupo os aumentos observados nas tarifas de água e esgoto, que avançaram 0,35%, e no gás encanado, com elevação de 0,13%.
Já o grupo Saúde e cuidados pessoais registrou alta de 0,47%. O movimento foi influenciado principalmente pelos artigos de higiene pessoal e pelos reajustes dos planos de saúde autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Combustíveis aliviam pressão inflacionária
Na direção oposta, o grupo Transportes apresentou recuo de 0,03%, ajudando a reduzir o impacto da inflação em junho.
O resultado foi puxado pela queda de 1,22% nos combustíveis. Entre os principais recuos estão o etanol, que caiu 5,30%, o óleo diesel, com baixa de 1,47%, e a gasolina, que recuou 0,73%.
Mesmo com a redução dos combustíveis, alguns itens ligados ao setor de transportes registraram alta e pressionaram o IPCA-15. As passagens aéreas avançaram 7,24% no período, enquanto as tarifas de ônibus urbano subiram 1,18%.
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