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Investidor pode reduzir riscos financeiros com swap cambial

11 set 2012 - 08h10
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Embora o Banco Central tenha aberto leilões de swap cambial tradicional a fim de rebaixar a cotação do dólar nos últimos meses, para muitas pessoas, é difícil entender como o procedimento influi na dinâmica do mercado financeiro. "Parece um negócio complicado de entender, mas na verdade, swap significa troca; você troca um risco de variação do dólar por um risco da variação de taxa de juros", explica Carlos Rogério Thomé, sócio-diretor da consultora Alta Vista Investimentos.

Apesar de também ser usado para especulação, a principal função do swap cambial é garantir a estabilidade das transações por meio da troca de riscos entre investidores
Apesar de também ser usado para especulação, a principal função do swap cambial é garantir a estabilidade das transações por meio da troca de riscos entre investidores
Foto: Shutterstock


O mais comum é ser utilizada pelo Banco Central para dar apoio às empresas nacionais afetadas por uma variação cambial significativa e refrear o fluxo de moeda estrangeira injetado no mercado brasileiro. Mas a operação também pode ser negociada entre empresas sensíveis à oscilação cambial para acomodar montante, prazo e câmbio em condições pré-estabelecidas de um acordo de proteção financeira.



No jargão financeiro, o swap é um contrato derivativo entre investidores que pode ter função de hedge (proteção) ou especulativa. Como medida de cobertura de risco, a operação é geralmente adotada por empresas cujas atividades estão expostas aos efeitos da oscilação cambial, como exportadoras e importadoras; no entanto, enquanto as receitas das primeiras são afetadas pela variação da moeda estrangeira, o lucro das importadoras é impactado pela variação na taxa de juros pós-fixados.



Como o interesse das partes em se proteger de riscos é complementar, elas podem firmar entre si um contrato de swap cambial para reduzir os efeitos da flutuação da moeda para ambos os lados, sejam eles negativos ou positivos. Exemplo: privilegiada pela alta do dólar, a exportadora X paga a uma parceira importadora Y o diferencial da variação da moeda americana e recebe em troca (meramente financeira) o diferencial da variação na taxa de juros pós-fixados.



Os contratos também podem ser negociados entre instituições financeiras em uma modalidade chamada swap cambial reverso. Nesse caso, o investidor troca Certificados de Depósito Interbancário (CDI) em reais pela oscilação cambial em moeda estrangeira. Este é o mesmo procedimento utilizado para a especulação e também implica o ganho de uma taxa adicional, chamada cupom cambial, que equivale à diferença entre a taxa interna de juros e as variações na taxa de câmbio durante a validade do contrato.



O emprego da operação pelo Banco Central está relacionado à manutenção das taxas de câmbio do país. "O swap cambial reverso é um procedimento que o Banco Central adota para dar estabilidade à cotação do dólar e trazer tranquilidade ao mercado", afirma Thomé. "Se o governo começa a ver que está havendo crise internacional e fuga de capitais do País, ele faz leilões para se proteger", explica.



A venda dos contratos equivale à compra de dólares no mercado futuro, ou uma aposta na valorização do dólar frente ao real ‒ dinâmica que justifica o "reverso" da operação, pois neste caso, o Banco Central passa a lucrar com a taxa de juros e paga a variação cambial às instituições financeiras. Fora do contexto de crise, a estratégia também serve para conter a oferta de dólares no mercado brasileiro, o que pode prejudicar o setor exportador e a dívida pública quando os investimentos estrangeiros são intensamente direcionados para o País.

Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
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