Indústria de SP demitiu mais em 2015 do que na crise de 2009
Número de demitidos equivale à população de cidades como Marília e São Carlos
A indústria paulista fechou 235 mil postos de trabalho no ano passado, encolhimento de 9,26% nas vagas, segundo a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O resultado é o pior da série histórica, superando as perdas registradas em 2009, auge da crise global, quando o emprego acumulou perdas de 4,59%.
O número de demitidos é o equivalente à população de cidades como Marília e São Carlos.
A deterioração do mercado de trabalho foi observada em todas as regiões do Estado de São Paulo e em todos os setores industriais. Entre os setores que mais demitiram, destaque para a indústria automotiva, que fechou 33.217 vagas no ano passado.
Mais desemprego em 2016
Segundo a entidade, o prognóstico para o emprego industrial indica mais perdas de vagas de trabalho ao longo de 2016. O Depecon (Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e do Ciesp) projeta queda de 6% do emprego na indústria neste ano, o equivalente a 165 mil vagas a menos.
Na avaliação do gerente do Depecon, Guilherme Moreira, a desvalorização do real frente ao dólar pode trazer “um pouco de alento para a indústria. Mas a forte queda da demanda doméstica não garante perspectiva de que 2016 recupere os empregos perdidos em 2015”.
De acordo com Moreira, se a perspectiva para 2016 se concretizar, a indústria de São Paulo terá demitido mais de 500 mil trabalhadores entre 2014 e 2016. Em 2014, o setor fechou 129,5 mil vagas.
Confiança em baixa
Moreira explica que, em tempos de crise, a indústria é o primeiro segmento da economia a desaquecer. Mas, no momento de recuperar as perdas, é o setor manufatureiro que, tradicionalmente, deveria liderar o país na retomada do crescimento.
O gerente do Depecon lembra que o primeiro passo em direção à recuperação deve ser a retomada da confiança empresarial para voltar a investir.
“Em todos os indicadores a queda da confiança é generalizada, tanto da indústria, quanto do comércio, serviços e por parte dos consumidores. Então, o primeiro passo é ter confiança. Mas isso depende de uma série de fatores que a gente não enxerga hoje no horizonte”, afirma.