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Indústria de SP demitiu mais em 2015 do que na crise de 2009

Número de demitidos equivale à população de cidades como Marília e São Carlos

21 jan 2016 - 11h56
(atualizado às 11h59)
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A indústria paulista fechou 235 mil postos de trabalho no ano passado, encolhimento de 9,26% nas vagas, segundo a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O resultado é o pior da série histórica, superando as perdas registradas em 2009, auge da crise global, quando o emprego acumulou perdas de 4,59%.

O número de demitidos é o equivalente à população de cidades como Marília e São Carlos.

Fiesp prevê queda de 6% na indústria paulista em 2016
Fiesp prevê queda de 6% na indústria paulista em 2016
Foto: Arquivo/Agência Brasil / Agência Brasil

A deterioração do mercado de trabalho foi observada em todas as regiões do Estado de São Paulo e em todos os setores industriais. Entre os setores que mais demitiram, destaque para a indústria automotiva, que fechou 33.217 vagas no ano passado.

Mais desemprego em 2016

Segundo a entidade, o prognóstico para o emprego industrial indica mais perdas de vagas de trabalho ao longo de 2016. O Depecon (Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e do Ciesp) projeta queda de 6% do emprego na indústria neste ano, o equivalente a 165 mil vagas a menos.

Na avaliação do gerente do Depecon, Guilherme Moreira, a desvalorização do real frente ao dólar pode trazer “um pouco de alento para a indústria. Mas a forte queda da demanda doméstica não garante perspectiva de que 2016 recupere os empregos perdidos em 2015”.

De acordo com Moreira, se a perspectiva para 2016 se concretizar, a indústria de São Paulo terá demitido mais de 500 mil trabalhadores entre 2014 e 2016. Em 2014, o setor fechou 129,5 mil vagas.

Confiança em baixa

Moreira explica que, em tempos de crise, a indústria é o primeiro segmento da economia a desaquecer. Mas, no momento de recuperar as perdas, é o setor manufatureiro que, tradicionalmente, deveria liderar o país na retomada do crescimento.

O gerente do Depecon lembra que o primeiro passo em direção à recuperação deve ser a retomada da confiança empresarial para voltar a investir.

“Em todos os indicadores a queda da confiança é generalizada, tanto da indústria, quanto do comércio, serviços e por parte dos consumidores. Então, o primeiro passo é ter confiança. Mas isso depende de uma série de fatores que a gente não enxerga hoje no horizonte”, afirma.

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