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Ibovespa recua para mínima em 2 meses sem sinais de arrefecimento de guerra

20 mar 2026 - 17h48
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O Ibovespa fechou em queda de mais de 2% nesta sexta-feira, mais uma vez contaminado pela aversão a ‌risco global com os receios envolvendo o conflito no Oriente Médio e seus reflexos na economia mundial.

O índice de referência do mercado acionário brasileiro recuou 2,25%, a 176.219,40 pontos, após os ajustes, acumulando na semana uma perda de 0,81% e ampliando a queda no mês para 6,66%. No ano, ainda sobe 9,37%.

Em pregão também marcado por vencimento de opções sobre ações na B3, o Ibovespa chegou a 175.039,34 pontos na mínima da sessão, piso intradia desde 22 de janeiro. Na máxima do dia, alcançou 180.305,22 pontos. O volume financeiro somou R$49,45 bilhões.

O barril de petróleo sob o contrato Brent fechou em alta de mais de 3%, a US$112,19, maior valor desde julho de 2022, com a ⁠guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que já dura três semanas, sem sinais de arrefecimento.

Na última sexta-feira de fevereiro, antes dos primeiros ataques contra o Irã, o ‌Brent tinha fechado a US$72,48.

As forças armadas dos EUA estão enviando milhares de fuzileiros navais e marinheiros adicionais para o Oriente Médio, disseram três autoridades norte-americanas à Reuters nesta sexta-feira.

O Iraque, por sua vez, declarou força maior em todos os campos de petróleo desenvolvidos por empresas petrolíferas estrangeiras.

Também nesta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel ‌Barrot, disse que não vê um fim óbvio para o conflito no Oriente Médio no curto prazo. A ‌fala ocorreu após ele se reunir com o colega israelense Gideon Saar em Tel Aviv.

"O conflito vai se arrastando e cada semana praticamente funciona como um 'tic tac' ⁠na inflação", observou o analista Felipe Cima, da Manchester Investimentos, destacando receios com o movimento dos juros principalmente nos EUA.

Operadores de contratos de juros de curto prazo precificavam nesta sexta-feira uma chance acima de 50% do Federal Reserve elevar a taxa em dezembro, uma mudança drástica em relação às expectativas do início desta semana de um corte.

Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, caiu 1,51%, em pregão também marcado por vencimentos de opções e futuros em Nova York.

O rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA marcava 4,3796%, de 4,283% na véspera, em pregão também marcado pela valorização do dólar frente a outras divisas no mundo, incluindo o real. No fechamento, ‌acusou alta de 1,84%, a R$5,3125.

Tal cenário desacelerou o fluxo de estrangeiros para a bolsa paulista em março, mas a B3 ainda registra um saldo positivo, de quase R$4,6 bilhões até ‌o dia 17. Em fevereiro, houve entrada líquida de R$15,4 ⁠bilhões. Em janeiro, de R$26,3 bilhões.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN ⁠caiu 2,37%, em dia de correção, com agentes financeiros também buscando entender os potenciais reflexos para a companhia de medidas recentes do governo para atenuar os efeitos da disparada do petróleo ⁠na economia brasileira. Até a véspera, a ação acumulava alta de quase 19% desde o começo da guerra no ‌Irã. No ano, a valorização chegava a quase 52%. ‌No setor, PETRORECONCAVO ON recuou 5,29% e BRAVA ON perdeu 3,32%. Na contramão, PRIO ON subiu 3,14%, com analistas do UBS BB elevando o preço-alvo para R$75 ante R$56 e reiterando compra.

- SANTANDER BRASIL UNIT recuou 2,47%, em pregão marcado também pela repercussão da decisão do presidente-executivo do banco, Mário Leão, de deixar o cargo. Ele ficará até julho, quando o novo CEO, Gilson Finkelsztain, atualmente comandando a B3, assumirá a função. B3 ON recuou 4,31%. Ainda na véspera, a B3 ⁠disse que informará oportunamente o nome do sucessor, uma vez concluído o processo para substituir Finkelsztain. Entre os bancos do Ibovespa, ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1,75%, BRADESCO PN perdeu 1,66%, BANCO DO BRASIL ON cedeu 1,02%. BTG PACTUAL UNIT perdeu 4,3%.

- VALE ON caiu 1,41%, sucumbindo à correção negativa no mercado como um todo, mesmo com o avanço dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na bolsa de Dalian subiu 1,05%.

- BRASKEM PNA desabou 14,21%, devolvendo boa parte da alta de março, que agora soma 6,36%. Na véspera, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou lei que ‌amplia os benefícios do regime especial de tributação para a indústria química nacional (Reiq), tanto em valores como em itens elegíveis para redução de impostos. Analistas do BTG Pactual estimam que o programa possa adicionar aproximadamente US$250 milhões a US$350 milhões por ano ao Ebitda da Braskem.

- CYRELA ON perdeu 2,06%, mesmo após resultado acima das expectativas ⁠no quarto trimestre, com lucro líquido de R$ 682 milhões e receita líquida de R$3,2 bilhões. A companhia, porém, divulgou queima de caixa de R$38 milhões, enquanto, na base trimestral, houve queda na margem bruta. A companhia também firmou acordo para potencial aquisição de participação em controlada da Helbor, que inclui a compra de Cepacs. HELBOR ON, que não está no Ibovespa, subiu 1,53%.

- HAPVIDA ON caiu 5,08%, retomando a tendência negativa após forte volatilidade na véspera, quando a ação chegou a recuar quase 15% nos primeiros negócios antes de fechar com um salto também de quase 15%, em meio à repercussão do balanço no último trimestre do ano passado e sinalizações sobre o começo de 2026. Para analistas do Citi, a Hapvida está nos "estágios iniciais de um processo de 'turnaround' complexo -- e certamente não existem 'soluções da noite para o dia'".

- YDUQS ON subiu 1,38%, entre as poucas altas do dia, após o conselho de administração do grupo de educação aprovar nesta sexta-feira programa de recompra de ações de até R$100 milhões, com prazo de 18 meses. Após um começo de ano mais positivo, com alta de 20,5% acumulada em janeiro, as ações registraram perda de 9,5% em fevereiro e somavam um declínio de quase 24% em março até a véspera, em um movimento que se acentuou após a divulgação do balanço.

- CEMIG PN avançou 0,41%, após reportar lucro líquido de R$1,88 bilhão no quarto trimestre de 2025, aumento de 88% sobre o desempenho de um ano antes. A companhia citou um efeito positivo de R$788,1 milhões no lucro, decorrente do acordo para encerramento da obrigação pós-emprego do plano de saúde e do plano odontológico. A receita líquida do quarto trimestre cresceu 2,9%.

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