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Ibovespa fecha em queda de mais de 1% pressionado por Vale e Itaú

16 jul 2026 - 17h17
(atualizado às 17h34)
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O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira, pressionado principalmente pelas ações ‌das blue chips Vale e Itaú Unibanco, com a penúltima sessão da semana também marcada pela repercussão do anúncio de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos para o Brasil.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,24%, a 173.825,27 pontos, tendo marcado 173.536,57 na mínima e 176.011,31 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$18,92 bilhões.

Os EUA anunciaram no final da noite de quarta-feira a imposição de tarifas de 25% sobre muitas importações do Brasil, ao mesmo tempo em que divulgaram uma lista de exceções mais ampla do que o esperado. As novas tarifas devem entrar em vigor em 22 de julho.

Na visão de analistas, os impactos econômicos ⁠tendem a ser limitados na economia e na bolsa paulista.

"As tarifas impactam pontualmente alguns setores de forma muito forte, mas, quando olhamos para a bolsa no consolidado, esse ‌impacto não é tão significativo", destacou o analista João Daronco, da Suno Research, em e-mail para comentar a notícia.

Ele chamou a atenção para o fato de que grandes empresas listadas na B3 como Vale e Suzano têm suas operações mais relacionadas com a China do que com os EUA, assim como os bancos -- que têm ‌peso relevante no Ibovespa -- têm pouca relação com a América do Norte. 

"Ao olhar alguns ativos que ‌poderiam ter mais impacto, como carnes e aeronaves, caso de Embraer e de alguns frigoríficos, fica evidente que a exclusão deles da lista acaba por ⁠diminuir ainda mais o impacto possível que essa nova tarifa teria dentro do Ibovespa", acrescentou.

Para a equipe do JPMorgan, o atual cenário sugere que os impactos econômicos das tarifas sobre o Brasil tendem a ser limitados, "embora uma escalada de medidas de retaliação entre os dois países possa ampliar esses custos".

Eles também avaliam que os efeitos políticos podem ser mais relevantes, especialmente no contexto das eleições no Brasil em outubro, conforme relatório enviado a clientes nesta quinta-feira.

No exterior, o S&P 500 recuou 0,53%, pressionado por ações de fabricantes de chips, com uma série de dados econômicos dos EUA também sob os holofotes.

O barril do petróleo Brent caiu 0,82%, a US$78,95, ‌revertendo a alta registrada em parte do pregão, quando teve suporte em notícia de que o Irã pediu ao movimento houthi do Iêmen que esteja pronto para fechar ‌a rota de petróleo do Mar Vermelho se os ⁠EUA atacarem infraestrutura energética iraniana.

DESTAQUES

• VALE ON recuou ⁠2,05%, acompanhando tom mais negativo de outras mineradoras no exterior, em sessão de estabilidade nos preços futuros do minério de ferro na China. No setor, CSN ON perdeu 2,67%, ⁠USIMINAS PNA caiu 3,66% e GERDAU PN fechou com declínio de 1,2%, enquanto CSN MINERAÇÃO ON subiu ‌4,01%.

• PETROBRAS PN perdeu 1,72%, conforme os preços ‌do petróleo reverteram a alta. No setor, BRAVA ON cedeu 2%. A companhia divulgou no final da quarta-feira que a CVM autorizou a retomada da oferta pública (OPA) para aquisição do controle da companhia pela Ecopetrol, que havia sido suspensa. A liberação ocorreu em reunião da CVM no dia 14, quando a ação da Brava subiu 6,49%.

• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1,37%, em dia majoritariamente negativo no setor. BRADESCO PN perdeu 1,02%, SANTANDER BRASIL UNIT recuou 0,63% ⁠e BANCO DO BRASIL ON encerrou com variação positiva de 1,02%. O governo brasileiro publicou medida provisória sobre renegociação de dívidas rurais, confirmando que os juros cobrados serão de até 12%, com prazo de pagamento de até 10 anos.

• BRASKEM PNA cedeu 4,84%, no terceiro pregão seguido de queda, abandonando a tentativa de recuperação e passando a acumular declínio no mês, enquanto investidores seguem atentos às negociações da petroquímica com credores financeiros.

• COPEL ON recuou 2,8%, após o conselho de administração aprovar uma atualização de parâmetros que orientam sua estrutura de capital e sua política de dividendos. O parâmetro ‌para alavancagem financeira passou de 2,8 vezes dívida líquida/Ebitda para 2,9 vezes, enquanto a distribuição anual de proventos segue pautada pelo mínimo de 75% do lucro líquido.

• WEG ON perdeu 1,74%, tendo de pano de fundo o anúncio sobre as tarifas pelos EUA. Analistas do UBS BB veem um impacto "marginalmente negativo" para ⁠a companhia, citando que os 25% estavam em linha com o seu cenário base. O BTG Pactual afirmou em relatório nesta semana que espera que a WEG divulgue no próximo dia 22 um resultado fraco no segundo trimestre, refletindo o baixo crescimento da receita e margens pouco inspiradoras.

• ULTRAPAR ON avançou 2,86%, marcando uma máxima histórica intradia acima de R$32. Analistas do Citi reiteraram recomendação de compra e elevaram o preço-alvo da ação para R$35, enquanto esperam um resultado positivo para o segundo trimestre, puxado principalmente pelo desempenho de Ipiranga.

• SUZANO ON fechou negociada em alta de 0,53%, tendo no radar a inclusão da celulose na lista de exceções de novas tarifas comerciais impostas pelos EUA a determinados produtos brasileiros. No setor, KLABIN UNIT apurou leve recuo de 0,17%.

• MOVIDA ON, que não está no Ibovespa, subiu 0,11%. A companhia de aluguel de veículos, gestão de frotas e venda de seminovos divulgou prévia de resultados com lucro líquido de R$135,6 milhões no período de abril a junho, o maior verificado em um único trimestre em quatro anos e acima dos R$68 milhões registrados um ano antes. Na máxima do dia, porém, avançou mais de 6%.

• ONCOCLÍNICAS ON, que não está no Ibovespa, perdeu 4,49%, após informar na noite de quarta-feira que recebeu uma oferta não vinculante da empresa de private equity IG4 Capital para um possível negócio de R$500 milhões, envolvendo a subscrição de debêntures conversíveis e a criação de um direito de usufruto sobre ações da empresa. Na véspera, os papéis fecharam com queda de mais de 7%.

(Edição de Pedro Fonseca)

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