Ibovespa fecha abaixo de 170 mi pontos com Bradesco entre pressões
O Ibovespa engatou a quarta queda consecutiva e recuou 1,06%, aos 169.186,42 pontos, pressionado pelas baixas de Bradesco e Ambev após avaliações negativas de analistas. O mercado repercutiu o avanço da dívida pública brasileira e a persistente incerteza fiscal pós-eleição, que segue elevando os juros longos. No exterior, a alta da inflação nos Estados Unidos (PCE) e as perdas no setor de tecnologia também reduziram o apetite por risco, intensificando o cenário desfavorável para a bolsa.
O Ibovespa engatou a quarta queda seguida e fechou abaixo de 170 mil pontos nesta quinta-feira, com Bradesco entre as maiores pressões de baixa, em meio a relatórios de analistas com tom mais negativo sobre o banco, assim como Ambev, após resultado trimestral.
Dados de inflação nos Estados Unidos também ocuparam as atenções, enquanto investidores seguem na expectativa de novidades sobre os planos para a economia, principalmente a questão fiscal, a partir do ano que vem, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,06%, a 169.186,42 pontos. Na mínima do dia, chegou a 168.765,35 pontos. Na máxima, a 171.402,97 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$42,31 bilhões.
De acordo com o gestor de renda variável Luciano França, da Paramis Avantgard, depois do "choque" de segunda-feira, a bolsa entrou em um momento diferente, no qual o Brasil deixou de ser vendido em "bloco" e os posicionamentos passaram a separar quem depende mais de juro doméstico de quem ganha em dólar. "As quedas seguem concentradas em empresas alavancadas e sensíveis a crédito, enquanto exportadoras e nomes defensivos seguram melhor."
França destacou que o termômetro é a parte longa da curva. "O juro curto se acomodou, mas o longo continua subindo. Isso mostra que a cobrança não é sobre a próxima decisão envolvendo a Selic, é sobre a trajetória fiscal dos próximos anos. Enquanto não houver nomes para a equipe econômica e uma medida concreta de gastos, esse prêmio tende a ficar no preço", afirmou.
Números divulgados pelo Banco Central mostraram que a dívida pública bruta do Brasil atingiu 82,93% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, ligeiramente acima do patamar de 82,87% registrado em agosto, alcançando o maior nível em mais de cinco anos. A dívida líquida, por sua vez, foi a 70% em setembro, de 69,3% no mês anterior.
"E o exterior também não ajuda. Com o Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos) mais inclinado a subir juros e a decepção com balanços de tecnologia, o apetite por risco diminui justamente quando o Brasil precisaria de vento a favor."
No exterior, o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), medida de inflação preferida pelo Fed, subiu 0,5% no mês passado, após um aumento não revisado de 0,3% em agosto, informou o Departamento de Comércio dos EUA, com a taxa em 12 meses positiva de 3,6%, após um aumento não revisado de 3,4% em agosto.
Em Nova York, o S&P 500 fechou em baixa de 0,3%, em dia também negativo para o setor de tecnologia após os resultados da Alphabet reacenderem preocupações com o aumento vertiginoso dos custos da inteligência artificial.
A B3 informou nesta quinta-feira que mudará a partir de janeiro de 2027 os procedimentos operacionais relacionados à data de início de vigência das carteiras de seus índices de renda variável, como o Ibovespa.
No próximo ano, a carteira entrará em vigor na segunda segunda-feira do mês inicial de vigência - janeiro, maio e setembro. Atualmente, ela começa a valer na primeira segunda-feira. A mudança já será aplicada no próximo rebalanceamento, em 11 de janeiro.
DESTAQUES
• AMBEV ON caiu 4,4%, mesmo após lucro líquido acima do esperado no terceiro trimestre, com analistas chamando atenção para os volumes, que, no segmento Cerveja Brasil, apurou crescimento orgânico de apenas 0,5%. A companhia também aprovou um programa de recompra de até 190 milhões de ações.
• BRADESCO PN perdeu 3,54%, tendo como pano de fundo relatórios de analistas desfavoráveis para o banco. A equipe do JPMorgan cortou a recomendação para neutra e reduziu o preço-alvo de R$26 para R$18, enquanto os analistas do UBS BB reiteraram a recomendação de compra, mas diminuíram o preço-alvo de R$28 para R$22. Itaú BBA já havia rebaixado o Bradesco para "market perform" na noite de terça-feira e cortado o preço-alvo de R$22 para R$20.
• BTG PACTUAL UNIT recuou 4,05%, enquanto BANCO DO BRASIL ON cedeu 1,97% e ITAÚ UNIBANCO PN recuou 0,6%. SANTANDER BRASIL UNIT foi exceção entre os bancos do Ibovespa e fechou em alta de 1,19%. A sessão também foi marcada pela divulgação de dados de crédito no país em setembro, sem alívio no comportamento da inadimplência em recursos livres.
• PETROBRAS PN cedeu 0,59%, em pregão com declínio dos preços do petróleo no exterior, enquanto dados mostraram que a estatal elevou sua produção de petróleo no Brasil em 12,4% entre julho e setembro ante o mesmo período do ano passado, para um recorde de 2,83 milhões de barris por dia (bpd), o que supera um pico que era previsto para ser atingido pela empresa apenas em 2028.
• VALE ON cedeu 2,17%, mesmo com a alta dos futuros do minério de ferro na China, com investidores na expectativa do resultado da companhia, que será conhecido após o fechamento do mercado. Estimativas de analistas compiladas pela LSEG apontam lucro líquido de US$1,38 bilhão para a Vale no terceiro trimestre.
• GERDAU PN avançou 5,69%, endossada por relatório de analistas do Itaú BBA, que elevaram a recomendação das ações para "outperform", bem como o preço-alvo de R$29 para R$31. No setor, CSN ON caiu 2,08% e USIMINAS PNA fechou em baixa de 3,87%.
• MINERVA ON caiu 6,92%, em mais uma sessão de perda significativa. No setor, porém, MBRF ON cedeu 1,85% e JBS, que é listada nos EUA, subiu 2,53%.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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