HSBC provisiona R$ 1,9 bilhão por suposta fraude em crédito privado no Reino Unido
Banco deu poucos detalhes e se recusou a revelar nome de empresa envolvida no caso; instituição afirmou que pretende endurecer procedimentos para evitar repetição do problema
O HSBC constituiu provisão de US$ 400 milhões (cerca de R$ 1,98 bilhão) relacionada a uma suposta fraude em mercados privados no Reino Unido, o que prejudicou seus resultados trimestrais.
O HSBC deu poucos detalhes sobre o episódio em seu balanço divulgado nesta terça-feira, 5, além de afirmar que a provisão refletiu uma "exposição secundária de securitização relacionada a fraude, com um patrocinador financeiro no Reino Unido".
Em teleconferências com jornalistas e analistas, a diretora financeira (CFO), Pam Kaur, disse que o HSBC havia concedido empréstimo a uma empresa de private equity, que, por sua vez, tinha exposição a ativos subjacentes de crédito privado que haviam sido securitizados — isto é, "fatiados" e empacotados em títulos para negociação por investidores.
"Consideramos essa despesa idiossincrática", afirmou Kaur. "Concluímos uma revisão das áreas de maior risco em nossa carteira e não identificamos preocupações comparáveis de fraude."
Kaur se recusou a revelar a empresa envolvida na suposta fraude. Ela disse que o HSBC havia confiado na due diligence (investigação prévia) feita por empresas de private equity e que pretende endurecer seus procedimentos para evitar a repetição do problema.
Segundo o Financial Times, o caso pode estar relacionado com o colapso da empresa de empréstimos imobiliários Mortgage Financial Solutions (MFS), à qual o HSBC foi exposto por meio de empréstimos concedidos à Atlas SP, unidade de empréstimos lastreados em ativos da Apollo. O HSBC se recusou a confirmar ao jornal os nomes das empresas envolvidas.
O caso ocorre após o Barclays, rival britânico do HSBC, ter anunciado um prejuízo de £ 228 milhões (cerca de R$ 1,53 bilhão) devido ao colapso da MFS em fevereiro. Autoridades britânicas investigam o escândalo.
A indústria de crédito privado cresceu rapidamente nos últimos anos, mas uma série de falências e supostas fraudes ao longo do último ano levantou preocupações sobre a qualidade dos empréstimos concedidos por esses financiadores.
Alguns desses episódios no crédito privado também afetaram bancos, elevando preocupações entre investidores e reguladores sobre as conexões entre fundos de crédito privado e o setor bancário.
Após a crise financeira de 2008-09, regulações mais rígidas levaram bancos a reduzir algumas formas mais arriscadas de concessão de crédito. Investidores de Wall Street, muitas vezes financiados por seguradoras, correram para preencher a lacuna. Esse negócio passou a ser conhecido como crédito privado. O HSBC, como muitos outros grandes bancos, concede empréstimos à indústria de crédito privado.
O lucro líquido do HSBC no primeiro trimestre ficou praticamente estável, já que maiores despesas com crédito, em meio ao conflito no Oriente Médio, compensaram a força dos negócios em Hong Kong, no Reino Unido e de gestão de fortunas.
O banco, sediado em Londres, informou nesta terça-feira que registrou US$ 1,3 bilhão (R$ 6,4 bilhões) em perdas de crédito esperadas e outras despesas com impairment (redução ao valor recuperável) no primeiro trimestre, em parte devido a um aumento de cerca de US$ 300 milhões (R$ 1,48 bilhão) nas provisões para refletir a maior incerteza nas perspectivas econômicas após o início da guerra.
A instituição, que obtém grande parte de seu lucro na Ásia, tem operações relevantes em países do Oriente Médio, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Egito.
Na segunda-feira, 4, o banco fechou a venda de seu negócio de varejo bancário na Indonésia ao Oversea-Chinese Banking Corp., de Cingapura. O HSBC afirmou que seguem em andamento revisões estratégicas de seus negócios de varejo na Austrália e no Egito e de seu negócio de seguro de vida em Cingapura./Broadcast
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