Honda alerta para 1º prejuízo anual em 70 anos
A Honda terá seu primeiro prejuízo anual em quase 70 anos como uma empresa de capital aberto, atingida por até US$15,7 bilhões em custos de reestruturação em seu negócio de veículos elétricos, disse a companhia nesta quinta-feira.
Sob o comando do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Washington encerrou o apoio aos veículos elétricos, forçando montadoras como Ford e Stellantis a repensarem estratégias e registrarem baixas contábeis bilionárias.
A segunda maior montadora do Japão disse nesta quinta-feira que espera um impacto de até 2,5 trilhões de ienes (US$15,7 bilhões) com o cancelamento de três modelos de veículos elétricos planejados para produção nos EUA.
Embora os analistas esperassem mais perdas relacionadas a veículos elétricos na Honda, o tamanho da baixa contábil anunciado nesta quinta-feira foi uma surpresa, disse Julie Boote, analista de automóveis da Pelham Smithers Associates.
"A principal surpresa foi o fato do programa de produção dos EUA ter sido cancelado, em vez de apenas reduzido. A Honda tinha um plano de expansão de veículos elétricos muito ambicioso, que foi gravemente afetado pelas mudanças no ambiente do mercado", disse Boote.
O presidente-executivo da Honda, Toshihiro Mibe, disse em a jornalistas que a demanda por veículos elétricos caiu drasticamente, tornando "muito difícil" manter a lucratividade.
A Honda também está reduzindo o valor de seus negócios na China, onde tem lutado para competir com modelos oferecidos por rivais como a BYD.
A Honda disse que espera ter prejuízo de até 570 bilhões de ienes (US$3,6 bilhões) no ano fiscal que termina no final de março, em comparação com a previsão anterior de lucro de 550 bilhões de ienes. O resultado negativo será o primeiro prejuízo anual da companhia desde que foi listada no mercado de ações em 1957, disse um porta-voz da montadora.
PERDAS BILIONÁRIAS
Várias montadoras globais registraram baixas contábeis dolorosas ao reduzirem suas ambições sobre veículos elétricos nos últimos meses.
A perda na Honda eleva o total do setor para cerca de US$67 bilhões. A General Motors alertou para encargos de US$7,6 bilhões, enquanto a Stellantis sinalizou US$25 bilhões e a Ford US$19 bilhões.
Além de seus principais mercados, Japão e EUA, a Honda disse que fortalecerá sua linha de modelos e a competitividade de custos na Índia, onde vê espaço para expansão.
Sob pressão dos rivais chineses na Ásia e em outros lugares, as montadoras japonesas têm se concentrado cada vez mais na Índia, um mercado onde - como nos EUA - as montadoras chinesas estão efetivamente excluídas.
Mibe e o vice-presidente executivo da Honda, Noriya Kaihara, renunciarão voluntariamente ao equivalente a 30% de sua remuneração por três meses, enquanto alguns outros executivos abrirão mão de 20%, informou a Honda.
A empresa planeja anunciar uma estratégia de negócios renovada de médio a longo prazos no próximo ano fiscal.