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Haddad: Estamos reancorando expectativas de inflação e isso abrirá espaço para queda da Selic

Segundo o ministro da Fazenda, o arcabouço fiscal, do ponto de vista da arquitetura, está funcionando corretamente

16 set 2025 - 11h30
(atualizado às 11h31)
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira, 16, que a equipe econômica está conseguindo reancorar as expectativas de inflação - ou seja, trazer as projeções de inflação futura para mais perto da meta do Banco Central - e avaliou que, com isso, vai se abrir um espaço para o BC iniciar o ciclo de cortes da Selic. Ele não se comprometeu com uma previsão de quando a Selic poderá começar a cair, mas disse que tudo leva a crer que o ciclo de cortes vai começar nos próximos meses.

"Tudo leva a crer que o ciclo de corte da Selic vai começar nos próximos meses", disse, ao participar da abertura do J.Safra Investment Conference, nesta terça-feira. Ainda de acordo com o ministro, a economia vai reagir muito rapidamente à queda dos juros. Haddad destacou que a economia está se beneficiando de uma taxa de câmbio que caiu a R$ 5,30, "o que é positivo por causa do impacto sobre a inflação", disse.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Segundo ele, a disciplina fiscal voltou a ser executada pelo governo, sem que isso provoque falta de recursos para saúde e educação, entre outros. Disse também que o governo vai conseguir cumprir a meta fiscal em 2025 e chegará ao final do mandato com o fiscal sob controle. "A disciplina fiscal do governo voltou a ser realidade, não houve 'fura-teto nenhum'", disse. Para ele, o arcabouço fiscal, do ponto de vista da arquitetura, está funcionando corretamente.

O ministro disse ainda ter esperança de que PIB potencial do Brasil vai superar os 2,5% estimados hoje.

Reforma tributária

Haddad afirmou também que, com a reforma tributária, o País terá uma acomodação dos preços relativos, mas para o bem da economia. "Não acredito que a reforma tributária terá impacto inflacionário, porque fiscalmente ela é neutra", disse, adiantando que o último projeto de regulamentação da reforma deve ser votado nesta quarta-feira, 17, no Senado.

Para ele, os efeitos da reforma tributária na economia devem ser notados a partir de 2027 e o País vai terminar 2026 com a menor inflação desde o Plano Real e o PIB com crescimento médio de 3%. "Penso que vamos entrar em uma trajetória de queda de juros com sustentabilidade", disse.

O ministro ressaltou ainda o esforço fiscal que governadores e prefeitos têm feito. Segundo ele, o presidente Lula se dá bem com todos os governadores, independentemente de posição ideológica. A dimensão política faz muita diferença e precisa ser valorizada por analistas da economia, disse. "O ambiente federativo melhorou no Brasil neste governo, e o ambiente entre Poderes também."

Concessões

Em sua fala, Haddad também afirmou que o Ministério dos Transportes deve entregar algo como 30 concessões neste mandato. Em um aceno aos investidores em infraestrutura, o ministro disse ainda que os créditos antigos serão respeitados na reforma tributária, que não haverá acúmulo a partir da reforma.

De acordo com Haddad, o governo espera que haja um equilíbrio entre juro e câmbio, duas variáveis importantes para os investidores em projetos de longo prazo. "Esperamos equilíbrio entre juro e câmbio mais favorável para o País", disse, reforçando que passou na Câmara o aperfeiçoamento de PPPS e concessões, que vai fortalecer regulação.

Estadão
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